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O centenário da Irmã Brígida

(Thereza Philomena Chiari Octaviani)

Em 13 de agosto de 1920, nasceu, em S. Carlos, Thereza Philomena Chiari Octaviani, filha de Rômulo Antonio Giovanni Octaviani e Angelina Chiari e que, portanto, em igual data de 2020, completa um centenário de vida.

Ela nasceu no distrito de Babilônia, no sítio Boa Fé, e tinha nove irmãos: Carolina, Luzia, Florizelda, Rosa Antônia, Antônio Carlos, Erasmo Domingos, Maria José, Oswaldo José e Carlos Alberto.

Desses, só restam três homens: Antônio Carlos, Oswaldo José e Carlos Alberto. Os demais estão com Deus. Desses falecidos, quem mais viveu foi Florizelda, 88 anos. A primeira a alcançar o centenário é a segunda dos filhos, ou seja, a Thereza. Mas os irmãos estão vencendo, estando o Antônio Carlos beirando os 90.

Em 1941, estava ela com a Carolina, visitando uma gruta na Santa Casa de S. Carlos, quando uma freira (naquela época muitos hospitais eram cuidados por freiras) se aproximou delas e as convidou para serem Irmãs. A Carolina não quis, pois já estava casada, mas a Thereza aceitou o convite e foi falar com os pais. O pai concordou de pronto e a mãe não gostou muito, mas acabou aceitando.

Assim, ainda naquele ano, ela foi enviada a S. Paulo para a Casa Mãe das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, no Bairro do Ipiranga, onde conviveu com Santa Paulina, falecida um ano depois.

Aí fez todos os estudos necessários, à época chamados de noviciado, até se tornar freira. Naquele tempo, era obrigatório mudar até o nome para representar um completo desligamento do mundo e da família e ligar-se integralmente à vida religiosa. Então, recebeu o nome de IRMÃ BRÍGIDA MARIA DE SÃO JOSÉ.

A família estranhou um pouco, pois deixava de existir a irmã Thereza e nascia a Irmã Brígida. Pessoalmente, me lembro pouco disso, pois só tinha três anos, mas recordo que ela me perguntava se eu queria ser padre e eu dizia que não, mas ela mandava dizer que sim. Ainda me lembro dela saindo de casa e minha mãe dizendo que ela não voltaria mais pois iria ser freira. Não entendi nada... nem reclamei.

A mamãe dizia que ela  sempre mostrara essa tendência, pois só cantava músicas de Santa Terezinha e nossa Senhora do Amparo.

Já freira, foi trabalhar na Santa Casa de Santos, onde permaneceu por mais de setenta anos. No começo, não eram registradas como empregadas, mas depois se tornou obrigatório o registro e recolhimento da Previdência Social. Assim, ela teve um dos mais longos registros de empregado que se conhece, talvez um recorde...

Lá, além dos trabalhos normais, cuidava dos jardins do hospital, estudava música, tocava órgãos e até fundou, em 1959,  um coral com o nome de Coral da Santa Casa de Santos, tendo gravado um LP, com quinze músicas,  pela Chantecler (CGM 2320), sob a regência do Maestro José Jesus de Azevedomarques (assim mesmo, uma palavra só), no qual era a única freira. Tenho o disco, mas não é o objetivo deste texto.

COMEMORAÇÕES 

A Congregação à qual pertence a homenageada faz muitas comemorações por tempo de permanência ou outros fatos dos quais muitos nem ficamos sabendo ou participamos em razão do próprios afazeres.

Assim, em 21 de janeiro de 1944, fez a Profissão Religiosa e, em 21.1.49, fez os votos perpétuos.

Em 25 de janeiro de 1969, comemorou 25 anos de vida religiosa. Em 2006, comemorou Bodas de Diamante em Bragança Paulista, em celebração presidida por Dom Bruno Gamberini, que depois foi Arcebispo de Campinas, onde faleceu e cujo corpo está sepultado na cripta da Catedral local.

Em 2008, em São Paulo, comemorou 65 anos, Bodas de Platina, ocasião em que nos mostrou, na capela, o local onde Santa Paulina, ainda como Madre Paulina, costumava ficar para orar.

Os 70 anos foram comemorados em Sorocaba, na Casa de Retiro São José, em cerimônia co-celebrada pelo seu sobrinho Pe. Sérgio Geraldo Paravani, falecido em Matão, em 2019.

Em Santos, recebeu inúmeras homenagens pelos serviços prestados até mesmo pela Câmara Municipal e um caderno especial do jornal Tribuna de Santos, o maior da cidade.

Morava em uma casa na Rua Pe. Donizete, onde havia muitas escadas. Foi convidada a morar em Bragança Paulista, na casa São Luiz, local espaçoso sem escadas.

Nesse local, Santa Paulina viveu muito tempo e sofreu perseguições e humilhações, sempre suportadas com humildade, caracterizando sua santidade.

Aí a centenária Irmã está feliz sob os cuidados de sua superiora Madre Ilza, a quem é muito grata pelo carinho. Desfruta da saúde compatível com o centenário, ouve pouco e permanece numa cadeira de rodas mas, fora isso, tem uma vida sadia.

Oswaldo José Ottaviano - Advogado / OAB: 19303 – RG: 1980951-7

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