No próximo dia vinte, completo cinquenta anos de idade – sim, mais um “cinquentão” chegando na praça, turma! E, desse meio século de vida, vinte e quatro anos foram (e estão sendo) vividos no Japão.
Sim, senhor: quase metade de minha existência, passei-a em terra estrangeira, que, hoje em dia, para mim, já nem é mais tão estrangeira assim. Afinal de contas, aqui construí uma família – que é tudo de melhor em minha vida.
Ainda me lembro daquele outubro de 2001, quando desembarquei, com os demais estudantes brasileiros, no Aeroporto de Narita, em Tóquio. Estava chovendo. E era uma chuvinha fina que me fazia arrepiar. Mas, na verdade, o meu arrepio era originado mais pelo medo do que propriamente pelo frio. Preocupado com o que me esperaria naquele país de língua e de costumes tão estranhos para mim. Para terem uma vaga ideia de como eu me sentia, digo-vos que era a primeira vez que eu saía de meu país – e logo para passar dois anos... no Japão! Acreditem: há de se ter coragem (e um pouco de loucura) para enfrentar um desafio como esse.
Mas, se há uma coisa em que acredito piamente é que Deus tem um plano e uma hora certa traçada para cada um de nós. Pois, aqui, permitam-me dar um testemunho de como eu vim parar no Japão. Eu queria estudar no exterior, mas, claro, com minhas parcas condições financeiras, isso somente seria possível por meio de uma bolsa de estudos. Foi quando uma amiga viu no jornal que o Consulado Japonês de Manaus estava oferecendo duas bolsas de estudos. Pensei logo: “Mas Japão, tão longe?”. Porém, uma coisa de que me orgulho na vida é esta: nunca deixei de TENTAR absolutamente nenhuma oportunidade que me apareceu pelo caminho. De modo que, no dia seguinte, deixei meu currículo na portaria (sem piadinhas, por favor). E, para minha surpresa, dias depois, recebi uma chamada para a prova escrita.
Ocorre que, no dia do teste, eu tinha uma entrevista (final) de emprego no mesmo horário. Ou seja, tinha que escolher: ou o emprego, que estava mais perto, ou o Japão (que, em todos os sentidos, parecia uma chance tão distante). Bem, o que digo agora é o que de fato ocorreu comigo – e pensem o que quiser, pois não estou aqui para convencer ou julgar as crenças de cada um. Porque, na noite anterior ao teste no Consulado, eu, Edweine Loureiro da Silva, sentado no sofá de casa, fechei os olhos e pedi orientação a Deus com as seguintes palavras: “O que devo fazer amanhã, Senhor?”. E, sim, naquele mesmo instante, tive a resposta muito clara em minha mente: tente o Japão.
E foi o certo a ser feito. Pois, no dia seguinte, fui, vi... e venci (primeiro lugar no teste de Inglês).
De modo que, tempos depois, estava eu desembarcado em Tóquio naquele outubro chuvoso...
Chamem de destino, de decisão lógica – chamem do que quiser.
Eu chamo de Deus. E, para mim, é o que basta para agradecer por tudo que vivi desde então.
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EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quinhentos concursos literários no Brasil, no Japão, na Espanha e em Portugal. Em 2024, seu livro obteve o Primeiro Lugar no Prêmio João do Rio (para “Livro de Crônicas”) da UBE-RJ. Também em 2024, foi o roteirista vencedor do “WriteMovies Script Pitch Contest”, nos Estados Unidos. É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).
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