Foto: Oscar Liberal
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Meio Ambiente

O jardim tropical moderno, um patrimônio mundial

Sítio do paisagista brasileiro Burle Marx é reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade na categoria paisagem natural. É o 23º bem brasileiro premiado pela instituição como patrimônio mundial

Nos jardins do paisagista brasileiro Burle Marx, nascido em São Paulo (1909-1994) e reconhecido internacionalmente, não entram plantas de fora. Só espécies tropicais. Seu sítio na Barra de Guaratiba, Rio de Janeiro, hoje tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) guarda uma coleção de 3.500 espécies tropicais repertoriadas e cultivadas em vivei-ros. Um verdadeiro laboratório de estudo, experimentações, descobertas botânicas e paisagísticas.

Nos jardins paisagísticos de Burle Marx, a planta é tropical e dialoga com as características do lugar que devem ser preservadas – terra, água, luz, relevo, clima e formas próprias de cultivo, além das características arquitetônicas do lugar.

Para Larissa Peixoto, presidente do IPHAN, Burle Marx foi um pioneiro na luta pela conservação da natureza e defensor do ambiente. Introduziu o uso de espécies nativas em seus projetos paisagísticos criando o conceito de jardim tropical em que as características do lugar são relevantes. E devem ser levadas em conta.

Um jardim natural modificado. Mas não desnaturado. O jardim tropical moderno, segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. A obra criativa do paisagista ressalta a interação necessária entre ambiente natural e atividades humanas – uma arte e uma consciência.

O Sítio Roberto Burle Marx (SRBM), considerado como valor universal excepcional para a humanidade, reúne assim condições institucionais para preservar seu acervo e consolidar o compromisso internacional de dar continuidade à obra de seu criador. Os princípios paisagísticos de Burle Marx estão plasmados ali em seu sítio, uma cartilha aberta de seu conhecimento e sua filosofia do que deve ser um jardim tropical moderno: uma obra de sintonias entre o homem e a natureza, o urbano e o ambiente natural.

Burle Marx, além de verdadeiro jardineiro, foi também artista versátil como pintor, escultor, designer de joias, figurinista, cenógrafo, ceramista, tapeceiro. Muitas de suas obras constituem o acervo do SRBM que já recebe cerca de 30 mil visitantes por ano.

Entre suas intervenções iniciais mais conhecidas, podemos citar o Complexo da Pampulha (1942), Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1954), Aterro do Flamengo (1961), Calçadão do Rio de Janeiro (1970). Criou e popularizou jardins aquáticos, descobriu novas espécies e cerca de 30 levam seu nome, foi pioneiro na defesa das florestas. Participou do projeto inovador do jardim-terraço do Edifício Gustavo Capanema no Rio de Janeiro, já com plantas nativas, curvas sinuosas e espaços de estar e contemplar que foi marco da nova arquitetura e paisagismo brasileiros a partir da década de 40 do século XX.

Para Cláudia Storino, diretora do SRBM, o sítio é um espaço de aprendizado e fomento ao conhecimento sobre a natureza, paisagismo, arte e botânica que deve ser preservado para as futuras gerações.

PARA SABER MAIS:

srbm@iphan.gov.br

https://www.caubr.gov.br/sitio-roberto-burle-marx-e-reconhecido-como-patrimonio-mundial-da-unesco/

https://sitiorobertoburlemarx.org.br/

Teresa Montero Otondo é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura pela USP. É colaboradora do Coletivo Socio-ambiental, membro da Associação Bra-gança Mais e co-fundadora da Associação de Cafeicultores de Bragança Paulista. 


 

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