Fotos: Larissa Sólis
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Cultura

O Pavão não se cala: Acadêmicos da Vila emociona a comunidade com desfile na Avenida Santa Isabel

Mesmo sem a passarela oficial, a “Azul e Branco” levou sua comunidade para a rua em um desfile histórico marcado por emoção, respeito e cidadania

Por Joel R. Castilho

Quem apostou no silêncio do samba em Bragança Paulista no Carnaval de 2026 se equivocou. Na última terça-feira, 17, a Acadêmicos da Vila provou que a paixão de uma comunidade é capaz de erguer seu próprio palco. Sob a liderança da presidente Francislaine Calazans, a agremiação não deixou a chama se apagar e promoveu um desfile simbólico, porém arrebatador, na Avenida Santa Isabel.

O enredo escolhido para este ano – “Respeito é Bom, Eu Gosto” – não foi uma coincidência, mas uma afirmação. Trata-se de uma reedição do tema que garantiu o título de 2002 à escola, originalmente concebido pelo saudoso carnavalesco Celso Tobias de Moraes (Pudim).

Ao resgatar o samba-enredo de Marcelo Rainha e Chico Beleza, a Vila trouxe para o asfalto uma reflexão profunda sobre o Artigo 5º da Constituição Federal, transformando a festa em um manifesto por direitos fundamentais e respeito mútuo.

O desfile contou com a estrutura completa que define a identidade da escola: comissão de frente, passistas e o bailado elegante do casal de mestre-sala e porta-bandeira.

A bateria “Pulso Forte” ditou a cadência, enquanto o carro de som, em um trio elétrico, conduzia o canto empolgado dos intérpretes e da comunidade. Uma alegoria representando o imponente Pavão, símbolo máximo da escola, coroou a apresentação.

A caminhada não foi apenas um evento festivo, mas uma celebração das cinco décadas de história da agremiação, fundada em outubro de 1975. Com 16 títulos no currículo – o mais recente conquistado em 2024 – a Acadêmicos da Vila demonstrou o vigor de uma instituição que respira a cultura do bairro.

Após o cortejo na avenida, a celebração se estendeu até a quadra social (Morada do Samba), onde o sentimento era de dever cumprido. “Aqui na Vila teve Carnaval sim. Não deixaremos o samba morrer jamais”, declarou a diretoria, já projetando os preparativos para o ciclo de 2027.

Ficou evidente que, para a Vila Aparecida, o Carnaval vai além de uma disputa de notas: é um exercício de pertencimento e amor às raízes.

UMA GALERIA DE GLÓRIAS

A trajetória da Azul e Branco é marcada por enredos memoráveis que se confundem com a própria história do Carnaval bragantino. Relembre algumas das conquistas que consolidaram a escola como uma potência:

1979: “No Reino dos Orixás”, 1983: “Adoniran Barbosa”, 1988: “Eu, o negro”, 1989: “Vila, samba, amor e tradição”, 1991: “Ao som da Viola Severina, Feitios da Terra do Sol”, 1992: “O sorvete”, 1996: “Carmem Miranda. Banana da Terra”, 1998: “O Poder da Criação”, 1999: “Orgulho e Vaidade... Fazem Parte deste Show”, 2000: “80 anos de Nicola Cortez”, 2002: “Respeito é bom e eu gosto”, 2004: “O jogo do poder - a Vila pede a Paz”, 2005: “A musa negra que beijou a flor hoje encanta o meu Pavão”, 2010: “No asfalto da alegria, a Vila pede paz e conscientização no trânsito”, 2015: “Deu a louca na Quarentona. Nas bodas de Rubi, a Vila mostra quem é louco aqui!” e 2024: “Da Ilha da Madeira à Morada do Samba | Zé Mendonça”.

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