O que nos espera detrás da neblina

A neblina sempre exerceu um certo fascínio sobre mim, e essa semana não foi diferente, quando me defrontei com ela, na estrada, a caminho do trabalho.

Pode parecer bobagem, mas a neblina me ensina sobre estar ansioso. E quantos de nós vivem essa condição constante.  Uma condição atormentadora.

E quando me vejo diante das cortinas sutis e, ao mesmo tempo poderosas da neblina, lembro-me de algumas lições sobre estar e viver ansioso. E rio, porque é isso que devíamos fazer sempre que nos confrontássemos com uma situação que nos foge ao controle.

Aliás, temos mesmo controle sobre alguma coisa?

A vida e a neblina têm me ensinado que não. Não temos controle sobre nada. A vida segue sem nos perguntar nossa opinião, e isso fere o ego dos mais controladores.

Mas afinal, o que é que somos para ousarmos achar que temos ou deveríamos ter controle sobre o que quer que seja?

A neblina me mostra a delícia de não estar no controle. E não pense que sou leviana ou uma motorista inconsequente, mas diante da neblina da estrada, eu não sei o que me espera a apenas alguns metros à frente. E diante da incerteza da via, também não. E, pasmem, isso não é nenhum problema.

Afinal, quem é que sabe o que nos espera na próxima curva? Nós podemos fazer planos, é claro, mas não se iluda, que não, não estamos no controle de absolutamente nada.

O Senhor da Neblina é quem está.

Ele sabe o que nos espera atrás de cada curva, carinhosamente escondida por detrás de sua cortina. Se alegria ou dor, Ele o sabe. Nós, não.

Mas o mais fascinante, é que nas duas hipóteses, há um propósito. E a Vida e o Senhor da Vida seguem nos surpreendendo dia após dia.

Eu nunca sei o que esperar, só sei que andar ansioso não me auxilia em nada, e também não condiz com a proposta de vida plena que o Eterno um dia me fez.

“Não andeis ansiosos por cousa alguma”, Ele dizia.

Difícil? Não, quando se sabe quem é o Senhor por trás da neblina.

E que venham mais manhãs e estradas cheias de neblina, para lembrar-me de quem sou e deliciar-me com minha absoluta ausência de controle sobre a vida e seus maravilhosos acontecimentos.

A neblina é só a cortina que se abre aos poucos, revelando-nos a exuberância desse espetáculo louco e lindo chamado Vida.

 

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