Vocês podem sentir? No vento, isso, no vento. Nessa época do ano, existe no vento um aroma diferente. Todo ano posso senti-lo. É o cheiro do Natal. Eu não sei explicar ao certo de onde ele vem, mas ele vem, todo ano, pontualmente, para lembrar-me do nascimento do menininho em Belém.
Imagino que ele esteja triste, tamanhas são as distorções que fizeram com sua mensagem e propósito. O menino que veio a esse mundo a fim de lembrar os homens do amor e da compaixão com que devem viver deve estar agora chorando um daqueles choros sentidos, que só as crianças mais sensíveis são capazes de chorar.
Ele não veio prometendo riquezas e prosperidade, ele veio convidando-nos a amar uns aos outros e nos dedicarmos à missão que é viver em amor e servidão.
O menino bendito, que a essa altura do ano, contorce-se no ventre da bendita Maria, veio para que não morrêssemos de desamor.
Todo ano, ele volta. E é como se todo ano a parturiente bendita e seu companheiro fiel tivessem de, novamente, buscar abrigo para o tão aguardado evento. Todo ano, repetidamente, ouvem negativas, todo ano, as pessoas encontram-se mais preocupadas em dar e receber presentes materiais, a ponto de esquecerem-se do maior presente com que o Altíssimo nos presenteou.
E o menino, lindo, forte, doce e sorridente, sempre encontra morada nos corações dos mais humildes. Jesus nasce todo ano nos barracos das comunidades, nas casas ribeirinhas, feitas de pau a pique, nas celas das prisões, onde as mulheres choram a dor da separação do filho que geraram em dor e amor, nos hospícios, onde a razão em algum momento separou-se do indivíduo, conferindo-lhe uma realidade diversa, nas ruas, nos becos, nas calçadas, onde homens maltrapilhos como ele foi, também repousam a cabeça e os sonhos na dureza do asfalto.
Cristo nasce nas casas mais humildes, onde as crianças já não esperam mais por Papai Noel...
Agora consegue sentir?
Ele está chegando, e isso já é o suficiente para que tudo, absolutamente tudo, se modifique. Consegue sentir?
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