A Frente Unificada Bragança Antifascista (Fuba) escolheu o feriado de 7 de setembro, Dia da Independência, para realizar um ato solidário a fim de arrecadar alimentos e roupas para serem doados às pastorais sociais. Com o tema “Onde queres fuzil, somos feijão”, o grupo, que se reuniu na Praça Raul Leme na manhã de terça, é formado por integrantes de partidos políticos, por representantes de sindicatos, como dos metalúrgicos, dos bancários e dos professores, e também por pessoas que não estão diretamente ligadas a esses movimentos.
O Jornal Em Dia conversou com Simone Migliorelli Marques, uma dessas diversas pessoas que organizam e integram as ações coletivas da Fuba, e que contou sobre a importância e a simbologia da ação.

“O grupo é formado por pessoas que se uniram em prol da defesa da democracia. Fomos construindo algumas ações, como as carreatas, e cada um contribui de uma forma ou outra para a realização delas. Inicialmente, tínhamos como pauta a questão da vacina e o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde).
À medida que o movimento foi crescendo, começamos a trazer outras pautas também. A ação solidária sempre esteve presente em todas as ações, sempre pedidos doações de alimentos. Quando fizemos a última reunião para definir como seria esta, referente ao 7 de setembro, já tínhamos em mente que seria algo solidário, democrático e que viesse trazer acolhimento às famílias carentes”, conta.
Uma das pautas iniciais do grupo se mantém presente, mesmo que simbolicamente, já que muitas das consequências sociais da pandemia se relaciona diretamente em como se desenrolou a questão da vacinação contra a Covid-19 no país. “Sabemos que o grande número de mortos pela pandemia é uma realidade e, por conta disso, muitas pessoas estão em grande vulnerabilidade social pela ausência dos esteios da família.
Por isso, pensamos em fazer algo diferente do que estava sendo divulgado em grande escala nas mídias sociais, para um movimento em relação ao 7 de setembro com pautas extremamente antidemocráticas. Definimos, então, que uniríamos a nossa proposta ao Grito dos Excluídos. Dessa forma, todas as doações foram destinadas para ações sociais da Igreja Catedral. Arrecadamos alimentos e também roupas, sapatos, edredons, muita coisa em bom estado. A distribuição vai ser feita pela equipe da igreja, a outras Paróquias, para que as arrecadações cheguem a quem precisa”, explica.
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De acordo com o site oficial da ação, a proposta do Grito dos Excluídos surgiu em 1994, a partir do processo da 2ª Semana Social Brasileira, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), cujo tema era “Brasil, alternativas e protagonistas”, inspirado na Campanha da Fraternidade de 1995, que tinha como lema “A fraternidade e os excluídos”.
Entre as motivações que levaram à escolha do dia 7 de setembro para a realização da ação, estava a de fazer um contraponto ao Grito da Independência. O primeiro Grito dos Excluídos foi realizado em 7 de setembro de 1995, tendo como tema “A vida em primeiro lugar”. A partir de 1996, o Grito foi assumido pela CNBB e, a cada ano, se efetiva como uma imensa construção coletiva, antes, durante e após o 7 de setembro.
“Mais do que uma articulação, o Grito é um processo, é uma manifestação popular carregada de simbolismo, que integra pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos. Ele brota do chão, é ecumênico e vivido na prática das lutas populares por direitos. A proposta não só questiona os padrões de independência do povo brasileiro, mas ajuda na reflexão para um Brasil que se quer cada vez melhor e mais justo para todos os cidadãos e cidadãs. Assim, é um espaço aberto para denúncias sobre as mais variadas formas de exclusão”, informa o histórico do site.

“O grupo ficou muito feliz com a participação das pessoas e com as arrecadações. É importante destacar que seguimos à risca todos os protocolos, que todos os participantes do movimento estavam de máscara e fazendo uso do álcool em gel. Quem quis contribuir não precisou sair do carro, nós íamos até os veículos sempre respeitando os protocolos de segurança. Seguimos o que realmente deveria ser regra, mas que, infelizmente, às vezes parece que é exceção. Tivemos um momento cultural, com o maracatu.
Tivemos a distribuição de mudinhas de plantas. Todas as falas de representantes de partidos e dos sindicatos foram uníssonas em relação ao respeito à democracia, ao respeito à Constituição, ao respeito à vida e aos direitos de todo cidadão e cidadã. Eu só agradeço o que vivenciei nesse 7 de setembro: solidariedade, responsabilidade e muito amor. As palavras para esse dia foram as de que ‘estávamos plantando amor’. Sabemos que o mundo todo está passando pela pandemia e que estamos em um momento muito difícil. Mas, aqui no Brasil, estamos tendo consequências muito maiores em relação a outros países.
A nação está pedindo socorro e o vírus não está para brincadeira, ele está levando as pessoas. E, quanto mais vulneráveis essas pessoas estiverem, mais devastador será esse vírus. Todas as questões constitucionais e de direito mínimo à vida, onde ficam? O que nossa ação coletiva levou para as ruas foi o respeito à democracia, aos direitos humanos e à Constituição brasileira”, conclui.
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