Antes do pecado, sofremos a tentação do pecado. Este pedido é um apelo a Deus para que Ele não nos deixe cair em tentação. São Tiago diz: “Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta” (Tg 1,13). Se Deus não tenta a ninguém, então a tentação para o pecado vem do mal. A vontade divina é livrar-nos das tentações. Pedimos que Ele não nos deixe passar por caminhos que conduzem ao pecado. Se estivermos empenhados em vencer o mal, fazemos este pedido implorando que o Espírito Santo nos dê o dom do discernimento e o dom da fortaleza (cf CIC 2846).
Pelo dom do discernimento, distinguimos entre o bem e o mal, e pelo dom da fortaleza, conseguimos dizer não ao que é mau, tanto para o corpo como para o espírito. Precisamos dos dons do Espírito Santo para separar o que é bom daquilo que é mau. Na tentação, o mal é apresentado como bom, sedutor para a vista e agradável (cf Gn 3,6), ao passo que, na realidade, seu fruto é a morte, porque conduz ao pecado nele contido (cf CIC 2847).
A tentação não é mais forte do que nós nem superior às nossas forças, pois o Senhor não permite nenhuma tentação acima daquilo que podemos superar. Depende unicamente de nós consentirmos ou não com aquilo que o inimigo nos propõe. Jesus nos disse: “Onde está o teu tesouro, aí estará também teu coração ... Ninguém pode servir a dois senhores” (Mt 6,21.24). E o apóstolo São Paulo escreveu: “Se vivemos pelo Espírito, pelo Espírito pautemos também nossa conduta” (cf Gl 5,25). E mais: “As tentações que vos acometerem tiveram medida humana. Deus é fiel; não permitirá que sejais tentados acima de vossas forças. Mas, com a tentação, Ele vos dará os meios de sair dela e a força para suportar” (1Cor 10,13; cf CIC 2848).
Para vencer as tentações, devemos seguir o ensino de Jesus. Ele venceu as tentações e o tentador pela oração, desde o começo de sua vida pública (Mt 4,1-11) e no último momento de sua agonia (Mt 26,36-44). Nós também devemos nos dedicar à oração nesses momentos de tentação. Jesus atende nosso pedido enviando-nos o Espírito Santo, que nos manterá sempre alertas e vigilantes contra todo tipo de tentação. A vigilância consiste em “guardar o coração”, e Jesus pede ao Pai que “nos guarde em seu nome” (Jo 17,11). E São Paulo insistirá na primeira carta aos Coríntios: “Vigiai, permanecei firmes na fé, sede corajosos, sede fortes!” (1Cor 16,13; cf CIC 2849).
Fé, oração e vigilância são necessárias para nos mantermos no caminho da salvação.
(Continua)
Paulo Trujillo Moreno
Pastoral Familiar e Litúrgica da Paróquia São Benedito
Notas:
Tg – Carta de São Tiago
CIC – Catecismo da Igreja Católica
Gn – Livro do Gênesis
Mt – Evangelho de São Mateus
Gl – Carta aos Gálatas
1Cor – Primeira carta aos Coríntios
Jo – Evangelho de São João
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