3º domingo do Advento – Ano C – Naquele tempo 10as multidões perguntavam a João: “Que devemos fazer?” 11João respondia: “Quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem; e quem tiver comida faça o mesmo!” 12Foram também para o batismo cobradores de impostos e perguntaram a João: “Mestre, que devemos fazer?” 13João respondeu: “Não cobreis mais do que foi estabelecido”. 14Havia também soldados que perguntavam: “E nós, que devemos fazer?” João respondia: “Não tomeis à força dinheiro de ninguém nem façais falsas acusações; ficai satisfeitos com o vosso salário!” 15O povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. 16Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. 17Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha, ele a queimará no fogo que não se apaga”. 18E ainda de muitos outros modos João anunciava ao povo a boa-nova. – Palavra da salvação.
“Que devemos fazer?”. Esta é uma pergunta importante neste tempo de advento. Como devemos nos preparar para a vinda do Senhor? Às multidões, João vai respondendo com simplicidade: “Quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem; e quem tiver comida faça o mesmo”. Partilhar os bens com os necessitados, tanto as roupas como os alimentos, ambos necessários para aquecer o corpo e manter a vida. A partilha é ação concreta de doação e de amor. Aos cobradores de impostos e aos soldados, porém, o profeta é mais incisivo: “Não cobreis mais do que foi estabelecido” e “Não tomeis à força dinheiro de ninguém nem façais falsas acusações; ficai satisfeitos com o vosso salário!” Aos que exercem de algum modo o poder, João indica o exercício da justiça. As palavras de João estão cheias de sabedoria divina. Ao povo em geral, a partilha, às autoridades constituídas ou a quem as exerce a justiça. Partilha e justiça vão gerar a paz entre o povo e entre as autoridades e o povo. Esta fórmula parece-nos simples e fácil. Simples pode ser: é humano acudir nosso semelhante em suas necessidades. Fácil, contudo, não é, porque sempre esbarramos nos nossos defeitos de rancor, egoísmo e poder. Aqueles que exercem o poder, muitas vezes, usam de sua função e prestígio para se vingarem de seus desafetos. Estas são as montanhas, vales e curvas que devemos endireitar, aterrar e aplainar em nossa vida. Ao afirmar: “ficai satisfeitos com o vosso salário”, João nos adverte de que ganhar pouco não é motivo nem justificativa para agirmos de modo errado ou pecaminoso. Nem está nos incentivando ao conformismo. O cristão deve ser exemplo de vida para todos em qualquer situação. O Senhor não quer que sejamos acomodados e por isso nos incentiva e fortalece em nossa caminhada de trabalho e estudo para podermos crescer nesta vida, tanto espiritual quanto materialmente. Ele nos mantém em pé diante da luta diária, porque é o Deus da vida e quer que vivamos bem.
João não é o Messias e seu batismo é um batismo de arrependimento. Quem quer se preparar para a vinda do Messias João o batiza nas águas do Rio Jordão. Jesus não tem pecados e, mesmo assim, nos dá o exemplo pedindo o batismo a João. Com esse ato, além do exemplo, Jesus vem confirmar todo o anúncio de João Batista. O batismo de Jesus é no Espírito Santo e com fogo, que simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito Santo (CIC 696), que Jesus nos transmite por meio da vida nova de seu sacrifício na cruz e ressurreição. Para o perdão dos pecados a Igreja dispõe do sacramento da confissão, que o próprio Cristo estabelece ao enviar seus discípulos em missão: “Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20,23). Quem quiser se preparar bem para a vinda de Jesus no Natal deve se servir desse sacramento. Jesus foi a “boa-nova” em seu tempo e ainda hoje continua sendo.
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