Evangelho de São Lucas 15, 1-32
24º domingo do Tempo Comum – Ano C – Neste evangelho, Jesus nos conta três parábolas: na primeira (versículos 4 a 7), o bom pastor deixa no redil as noventa e nove ovelhas e vai procurar a ovelha perdida e, quando a encontra, volta com ela para o redil todo contente. Na segunda (versículos 8 a 10), uma mulher que tem dez moedas de prata perde uma. Ela acende a lâmpada e varre a casa para encontrar sua moeda e quando a encontra fica muito contente. Na terceira (versículos 11 a 32), um pai tem dois filhos. O mais novo pede sua parte na herança e parte para longe, onde esbanja tudo que possuía. Para matar a fome, precisou trabalhar e foi tomar conta de porcos para um homem. Tendo fome, até a comida dos porcos lhe era negada. Diante disso, resolve voltar para se tornar servo de seu pai. Mas, ao vê-lo chegando, o pai corre ao seu encontro e o abraça e o recebe, manda dar-lhe vestes novas, pôr um anel no dedo, calçar sandálias nos pés e faz-lhe uma festa. O filho mais velho que ficou com o pai, enciumado, voltando do trabalho, se recusa a entrar na casa. Seu pai lhe diz: “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado”. – Palavra da salvação.
“Este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado”. Este evangelho nos ensina que Deus não quer perder nenhum de seus filhos, por mais insignificante que seja. O pastor que procura a ovelha perdida, a mulher que varre a casa para encontrar a moeda e o pai do filho pródigo são o próprio Deus. Já a ovelha perdida, a moeda extraviada e o filho mais jovem são os pecadores que Deus procura incansavelmente para dar-lhes nova oportunidade. O filho mais velho representa o povo judeu, mais especificamente os fariseus, escribas, sacerdotes e doutores da lei que se julgam irrepreensíveis. Para Deus, todos têm o mesmo valor. A ovelha perdida representa 1% do rebanho; a moeda extraviada, 10% do que a mulher possuía; o filho pródigo, 50% dos filhos do pai bondoso. Mas Deus procura-os com a mesma dedicação e muito se alegra ao reencontrá-los. Para Deus, filho é sempre filho e, por isso, o pai manda os servos vesti-lo com roupas novas, devolvendo-lhe a dignidade de filho; o anel no dedo significa que o filho readquiriu plenos poderes; calçar as sandálias é sinal de liberdade de ir e vir. Realmente, o filho que estava perdido ou morto readquiriu vida nova junto do pai.
Que o lugar de toda a humanidade, homens, mulheres e crianças, seja junto dele – é o que Deus-Pai quer. Para isso, todos devem se amar como irmãos. Deus é o pai que perdoa sempre e para quem os pecadores arrependidos podem voltar, mas, para essa volta, é preciso também aprender a perdoar. Toda vez que um pecador se converte, há uma grande festa no céu, como a da parábola do filho pródigo, porque Deus é um pai amoroso e cheio de misericórdia. E cada um de nós está disposto a perdoar seu irmão? Ou ficará fora dessa festa? Você decide.
Por que perdoar? Deus, na sua infinita misericórdia, entendendo as fraquezas do ser humano, está sempre disposto a perdoar. Isto, porém, seria muito cômodo para a humanidade pecadora e talvez até um incentivo às reincidências, diante da facilidade para o perdão. Por isso, é necessário haver arrependimento sincero e disposição de não tornar a pecar, revelados no perdão dado a quem nos ofendeu.
Jesus nos diz: “Se estiveres para trazer a tua oferta ao altar e ali te lembrares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; e depois virás apresentar a tua oferta” (Mt 5,23-24). Noutra passagem, Jesus continua: “Pois, se perdoardes aos homens os seus delitos, também o vosso Pai celeste vos perdoará; mas se não perdoardes aos homens, o vosso Pai também não perdoará os vossos delitos” (Mt 6,14-15).
Perdão é a chave de nossa reconciliação com Deus.
Paulo Trujillo Moreno é professor licenciado pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, formado em Teologia para leigos pela Diocese de Bragança Paulista e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica da Paróquia São Benedito.
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