Evangelho de São Mateus 23, 1-12
31º domingo do Tempo Comum – Ano A – Naquele tempo, 1 Jesus falou às multidões e a seus discípulos: 2 “Os mestres da lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a lei de Moisés. 3 Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4 Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los nem sequer com um dedo. 5 Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços e põem na roupa longas franjas. 6 Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. 7 Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de ser chamados de mestre. 8 Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de mestre, pois um só é vosso mestre e todos vós sois irmãos. 9 Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é o vosso Pai, aquele que está nos céus. 10 Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é o vosso guia, Cristo. 11 Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12 Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”. – Palavra da salvação.
“Jesus falou às multidões e a seus discípulos...”. No Evangelho deste domingo, Jesus volta a orientar o povo e seus discípulos. Não se dirige às autoridades nem se confronta com elas, como em domingos anteriores. Sobre as leituras, assim se expressa o padre e teólogo José Bortolini, in Roteiros Homiléticos, pag. 251: “A Palavra de Deus toca hoje nossa realidade. Por meio de Malaquias, denuncia a corrupção religiosa que profana o nome de Deus diante do povo (I leitura). Jesus desabona as autoridades religiosas que, em nome da fé, acobertam a ambição e a busca de prestígio, garantindo que Deus humilha quem se exalta e exalta quem se humilha (evangelho). Paulo é figura do autêntico agente de pastoral, pois não dissocia Palavra e vida. Ao contrário, é por sua vida que anuncia a Palavra (II leitura)”.
Diante dessas colocações, religiosos e agentes leigos de pastoral devem exaltar o nome de Deus, abandonando toda procura de riqueza e prestígio por meio da Palavra e vivendo sua vida conforme o Evangelho de Jesus. Qualquer pessoa que anuncie a Palavra e não a observa na sua vida diária não é digna desse anúncio.
“Os mestres da lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a lei de Moisés”. Jesus está falando ao povo, pessoas simples que nem sabem ler e escrever. Naquele tempo, poucas pessoas tinham acesso às escolas e a maioria dos discípulos faz parte deste povo analfabeto. Os mestres da lei e os fariseus eram pessoas que deviam ensinar a lei de Moisés ao povo. Eles são os detentores da riqueza de Israel e tinham, por isso, acesso às escolas de onde emana o saber. Seu dever, naquela sociedade, era instruir o povo na Lei, ou seja, na religião. Eles se aproveitam desse conhecimento para explorar o povo ignorante e se exibir como pessoas cumpridoras da Lei apresentando-se como importantes por se julgarem privilegiados por Deus. Jesus denuncia este abuso farisaico: “Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam”.
“O maior dentre vós deve ser aquele que vos serve”. O abuso farisaico não se encontra prescrito na Lei. A lei de Moisés ensina o mesmo que Jesus: “Amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo”. Por isso, aquele que tem conhecimento bíblico deve anunciar a verdadeira Palavra de Deus, não apenas falando ou escrevendo, mas, sobretudo, vivendo segundo o evangelho de Jesus. E este Evangelho ensina que: apenas um é Pai, aquele que está no céu; por Ele somos todos irmãos; um só é o mestre dos cristãos, Jesus; um só é o guia da humanidade, Cristo; todos são chamados a prestar serviço a Deus e ao próximo; o maior de todos é aquele que mais se coloca a serviço de Deus e dos irmãos.
Religiosos e leigos agentes de pastorais, lembremo-nos sempre das palavras de Jesus: “Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.
Paulo Trujillo Moreno é professor, bacharel em direito, formado em Teologia para leigos e participante das Pastorais Familiar e Litúrgica.
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