É provável mesmo que o coelho não venha, dado o preço dos ovos, bem provável. É bom ir se acostumando, meu querido.
O coelho não virá, mas Ele há tempos que já está a caminho. Um longo caminho, diga-se de passagem, vem sendo percorrido por Ele, e todo ele está sob o controle e provisão do Pai.
Desde muito pequeno, e apesar da inocência que toda criança, seja ela divina, seja ela humana traz consigo, Ele estava consciente do caminho que percorreria. Caminho difícil, repleto de dor, e sem nenhum atalho. Afinal, para Ele a dupla paternidade, o ser filho do carpinteiro e do próprio Deus não lhe trazia nenhum privilégio, fora o amor duplicado mesmo.
Aliás, foi esse amor insano do Pai quem o conduziu para esse e por esse caminho. E Ele vem vindo, posso ouvir seus passos rastejantes. Olhando pela janela, posso até mesmo enxergar o rastro de sangue que deixa por onde passa. Já está muito machucado, cansado, sedento, mas a sede do Pai por Salvação ainda não foi saciada. E é preciso, portanto, que Ele termine a missão que lhe foi dada, que ele conclua o caminho doloroso que conduzirá a humanidade pecadora à redenção de se saber amada novamente.
Por obediente que é, o menino cujo riso iluminava toda Jerusalém, o adolescente cuja sabedoria assustava os mestres da lei, está seguindo o caminho, que logo o conduzirá à cruz.
De braços abertos, como fazia sempre que encontrava um animalzinho ferido, quando criança, e depois, um adulto ferido, ele abraçará sua sina. E quão dolorosa ela é! Além da dor física, da tortura a que foi submetido, ainda lhe resta a dor espiritual, e essa, a maior de todas. O menino exausto, o Deus humilhado, sente a separação de seu Pai, e questiona: por que me abandonaste? A separação de seu amado Pai é o desfecho mais incrivelmente doloroso dessa história. O reencontro, no entanto, será a parte mais maravilhosa dela.
No terceiro dia. Sim, no terceiro dia, Ele se reencontrará com Seu Pai, surpreendendo aos homens de pequena fé com a boa-nova de que o amor não morre jamais.
O amor, amor insano de Seu Pai foi quem o conduziu por todo esse caminho até o terceiro dia. E graças a ele, podemos eu e você celebrar o triunfo do amor sobre a morte.
Não se deixe enganar a despeito da vinda ou não do coelho, Ele sempre vem. O Cristo ressurreto está conosco, todos os dias!
Feliz Páscoa!
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