Conhecido por montar óperas utilizando marionetes de fio, o Pequeno Teatro do Mundo, companhia criada em Bragança Paulista, se apresentará no Sesc Santana em março e, em seguida, seguirá em turnê até junho. O espetáculo escolhido para isso é Grande Circo Grandevo, que traz à cena o tema do envelhecimento dos artistas circenses com uma história sensível e poética. A companhia irá circular com o espetáculo por dez estados do país em 2025, por meio do Programa Transpetro em Movimento.
O ponto de partida das comemorações será uma temporada no Sesc Santana, onde se apresentarão durante três finais de semana, a partir do dia 15 de março. Depois, o grupo pegará a estrada para realizar uma turnê nacional, passando por dez estados, indo de Bragança Paulista, onde fica o ateliê da companhia, até São Luís do Maranhão.
Para realizar essa aventura, o Pequeno Teatro do Mundo foi contemplado com o projeto Grande Circo Grandevo – na estrada! entre mais de mil e setecentos projetos no programa de patrocínios da Transpetro, o Transpetro em Movimento, que viabiliza essas ações.
Em cada parada, a companhia realizará apresentações em escolas públicas e em casas de acolhimento para pessoas idosas, além de oficinas, cortejos pelas ruas e apresentações abertas ao público, com participações especiais de artistas de cada cidade. Todas as ações serão gratuitas e contarão com recursos de acessibilidade.
“Nessa turnê, teremos uma permanência mais longa em cada cidade, o que nos permite conhecer mais as pessoas, trocar experiências, ideias e aprendizados. Além das trocas de conhecimentos nas oficinas, contaremos com artistas convidados de cada cidade, o que é uma coisa nova pra gente e que permite uma relação mais profunda com cada lugar”, comenta Fabiana Barbosa.
Na trama de Grande Circo Grandevo, carregada de poesia, uma trupe de artistas circenses idosos precisa se reinventar. Com uma vida rodeada por trapézios, cordas bambas, equilibrismos e malabarismos, eles se veem diante do desafio de criar números mais condizentes com a realidade dos seus corpos. Assim, o que era limite se torna inspiração e eles buscam, de forma divertida, novos modos de encantar o público.
“Nos debruçamos sobre a questão dos preconceitos e estereótipos da velhice, principalmente em relação ao lado físico. Percebemos, por exemplo, que nossos corpos já não respondem tão bem quanto há dez anos, mas, ao mesmo tempo, nossa cabeça continua muito produtiva”, conta Fábio Retti.
Nesse contexto, o circo foi escolhido como plano de fundo por dois motivos: primeiro, por ser uma linguagem extrema, que também exige uma superação física constante. E, segundo, pela própria paixão do coletivo por esse universo.
“Quando entro nesse ambiente, eu esqueço do mundo e começa um tempo mágico, do risco e da tensão. As emoções são exploradas à flor da pele. A gente fica ali torcendo e angustiado com os riscos. Por isso, os espetáculos são cativantes: eles têm esse desenho de emoções intensas. É uma experiência bem forte”, completa.
A magia das marionetes chegou como mais um filho na família de Fábio e Fabiana. Artistas da cena há três décadas, eles encontraram nos bonecos uma forma de fazer arte juntando toda a família. Ela, atriz, e ele, iluminador de espetáculos, se tornaram marionetistas para, junto com sua filha Kim Retti, levarem esta arte para vários cantos do país.
A ideia de realizar espetáculos de óperas com as marionetes foi o ponto de partida para a criação da companhia Pequeno Teatro do Mundo. Nesses dez anos, se notabilizaram, tornando-se referência como marionetistas. Criaram seis espetáculos, sendo três deles óperas completas encenadas com as marionetes, com os quais participaram de grandes eventos como o Festival Amazonas de Ópera.
Com a estreia de um novo espetáculo programada para o segundo semestre, a companhia planeja circular ainda mais, alcançando novos públicos.
“Já circulamos do Sul ao Norte do país. Passamos por grandes capitais, por pequenas cidades do interior, por cidades ribeirinhas no extremo norte, e por comunidades indígenas e quilombolas, mas cada vez que adentramos o país nos surpreendemos com novos lugares, novas culturas e pessoas incríveis. Queremos mostrar pra nossa filha toda a riqueza de cada canto do país e, para isso, as marionetes nos guiam, levando em troca alegria para as pessoas.”, conclui Fábio Retti.
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