Minha mãezinha querida
Lembro-me bem seu jeitinho
Seu semblante já cansado
Arrastando o chinelinho
Trazendo sempre no olhar
Bondade, amor e carinho
Aos seus filhos já criados
Às noras, aos genros e aos netinhos
Dando sempre bons conselhos
E ensinando o bom caminho
O rosário no pescoço
Sinal de fé e devoção
Dando prova que sua vida
Foi contínua oração
Sempre com força e coragem
Resistindo provação
Nunca deixou se levar
Por qualquer falsa ilusão
Por certo Jesus estava
No seu meigo coração
Desde que eu era pequeno
Conheci o seu tormento
Mas era esperta e alegre
Não parava um só momento
Não se entregava na luta
Zombava do sofrimento
E quem em casa chegava
Passava alegres momentos
E os elogios ganhava
Pelo seu rico talento
Depois da luta do dia
Quando a tardinha findava
Pegava boas revistas
Que há muito tempo assinava
Lia um romance sadio
As notícias que chegavam
Também o terço em família
Toda noite se rezava
E mais um dia de luta
Era assim que terminava
Louvando a Maria
O povo fiel
A voz repetia
De São Gabriel...
Eu nem sei quando aprendi
A cantar essa oração
Desde que me vi por gente
Eu trago no coração
Os santos ensinamentos
Da divina religião
A minha boa mãezinha
É que devo a obrigação
Da grande felicidade
De ser chamado cristão
Depois, com o peso dos anos
E a saúde combalida
Mantinha a fé inabalável
E a coragem destemida
Conformada com o destino
Sempre de cabeça erguida
Com a graça do Criador
Foi bonita sua vida
Deus que a tenha pra sempre
Minha mãezinha querida
E nesta simples mensagem
Peço a Deus a proteção
Que a todas as mães do mundo
Derrame a sua bênção
De modo particular
Suplico com devoção
À pessoa mais amada
A quem devo a criação
Minha mãezinha querida
Prenda do meu coração!

Narciso de Oliveira Estevam
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