Ela explica que a situação impacta negativamente o ano letivo e que os maiores prejudicados são os alunos da rede
O último concurso público para a efetivação de professores na Prefeitura de Bragança Paulista ocorreu em 2018. De lá para cá, a Secretaria Municipal de Educação vem realizando processos seletivos para a contratação de professores temporários e essa situação vem precarizando a educação no município ano após ano, de acordo com profissionais da rede.
Esta semana, o Jornal Em Dia Bragança recebeu a manifestação indignada da professora Jéssica Santos que acabou de ser chamada para o último processo seletivo, mas, no momento da atribuição, não pôde assumir uma sala por ter trabalhado contratada pelo processo anterior. Entre as questões que indignam a professora está o fato de que, em nenhum momento, os candidatos foram informados sobre isso. Acompanhe:
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“Venho, por meio desta, deixar registrada minha profunda indignação com a Prefeitura de Bragança Paulista e o descaso que vem, há tempos, ocorrendo com os profissionais da educação e consequentemente com os alunos da rede municipal.
No ano passado, prestei processo seletivo e fui chamada para um contrato de 6 meses, neste período lecionei em diversas escolas fazendo substituições onde fosse necessário. Só assumi uma sala fixa faltando pouco mais de dois meses para o encerramento do contrato.
Essa situação se repetiu com dezenas de professores e os maiores prejudicados com essa contratação, por um período tão curto, são os alunos, que mal conseguem criar um vínculo com uma professora e logo já têm outra (quando têm) porque a anterior teve sua contratação encerrada em pleno decorrer dos bimestres letivos.
Após toda a repercussão negativa ocasionada por esse tipo de contrato, no ano passado, foi aprovado um projeto de lei em que a contratação se entende para 1 ano, prorrogável por igual período totalizando assim 2 anos.
Em setembro de 2023 foi lançado um novo processo a partir da nova legislação. Eu paguei e realizei a prova em agosto de 2023, fui aprovada e, na semana passada, muito feliz, fui chamada para participar da atribuição, me apresentei em horário e local com toda a documentação exigida. Porém, inacreditavelmente, fui surpreendida com a informação de que não poderia assumir a vaga, por ter participado do processo anterior, devido ao encerramento do meu primeiro contrato ter ocorrido em um período menor que dois anos.
A questão é que, em nenhum momento, essa informação foi apresentada no edital do último processo seletivo, ou seja, no documento que regulou e orientou todo o certame não constou uma informação crucial como essa.
A rede está com grande falta de profissionais e, ainda assim, aplica políticas públicas dessa natureza. A desvalorização do professor começa muito antes de falarmos em sua remuneração. Ela começa quando a educação não é prioridade para nossos representantes, mesmo quando estes também são professores.
Vemos que atualmente a Prefeitura de Bragança Paulista prefere deixar seus alunos com mais de três professores diferentes em um único ano, e impede profissionais aprovados em processo seletivo de trabalhar, levando-os, por omissão de informações essenciais no edital, a participar de tais processos dispendendo tempo e dinheiro para, somente no final da jornada, informar-lhes que estão impedidos de trabalhar.
Perante este tipo de situação eu, como professora, não posso me calar e naturalizar. Peço que o senhor prefeito, que também é professor, que o senhor secretário de Educação, que também é professor, que olhem com mais atenção para o que está acontecendo com a Educação em Bragança Paulista. Os professores e as crianças bragantinas não merecem passar por tamanho descaso.”
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