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SUB-VERSÃO

Professores, heróis invisíveis

Não há nada mais contraditório do que a visão que se tem acerca do professor em nosso país. E eu explico o porquê com o conhecimento de causa, que meus quase 20 anos de profissão me conferiram.

Aliás, posso mesmo me apropriar de apenas um único exemplo para ilustrar essa minha tese. Exemplo atualíssimo, o dos recentes ataques e ameaças a escolas por todo o país.

Vivemos um clima de pânico, de alerta, de comoção verdadeira por parte de todos os envolvidos no ambiente educacional. Muitos pais estão muito relutantes em enviar seus filhos para as aulas, especialmente no dia 20, supostamente escolhido para uma macabra celebração aos 24 anos do famoso massacre de Columbine. E com razão, vivemos dias tão maus e incertos, que me parece mesmo que não devemos economizar quando se trata de prudência.

Mas o que me chama a atenção enquanto professora é o tom do discurso, de todos os discursos, e não só o da mídia. Em nenhum deles, a figura do professor é citada, a não ser como no caso da professora morta. Sim, quando mortos viramos assunto e notícia.

Muito se fala sobre as vidas dos alunos, mas nunca, sobre as vidas dos professores. Será que fomos realmente levados a uma categoria diferente de seres humanos, haja vista aquela máxima já tão retrógrada e mentirosa de que escolhemos um sacerdócio ao abraçar essa profissão?

Será que, heróis como somos, devemos tal qual generais em odiosas guerras do passado, encabeçar o exército contra o iminente inimigo?

Mas... não éramos nós os “vagabundos” que ficaram sem fazer nada durante o auge da pandemia? Não somos nós a classe privilegiada com duas férias anuais?

Honestamente, sinto-me confusa. É difícil descer do mais alto pedestal para o mais baixo nível, em questão de segundos. O professor é herói e vagabundo ao mesmo tempo nesse país. Meio Macunaíma, talvez? O herói sem caráter...

O fato é que, assim como os pais de meus alunos, os meus também estão preocupados. Somos todos seres humanos suscetíveis à maldade em seu estágio mais primitivo. Sendo assim, a preocupação com relação à segurança dos alunos não deveria excluir a preocupação com a segurança dos professores. Aliás, ambas deveriam caminhar juntas, já que os dois grupos são essenciais para a educação.

Mas... não há de ser nada. Logo, além de professora, serei também uma especialista em defesa pessoal e situações violentas, acrescentando assim mais uma habilidade ao meu currículo.

Aliás, por que é que vocês nunca aprenderam isso, professores?

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