Com a chegada de um novo ano, é muito comum as pessoas fazerem planos e promessas a si mesmo para o ano novo que vai começar. Promete-se (quase) tudo: perder alguns quilinhos extras, começar de vez a academia, terminar o curso que começou, comprar algo, viajar para um lugar sonhado etc. etc. etc...
Prometer algo é parte do nosso imaginário, o que gera, por vezes, expectativas e nos coloca em movimento buscando a realização da promessa feita. As vezes obtemos êxito, em outras, abandonamos o barco pelo caminho...
Mas, e quando se trata de algo coletivo? Promessas feitas pelos representantes eleitos nas Eleições Municipais de 2024, lembrando que fomos ás urnas escolher nossos representantes para os próximos quatro anos? O que nos foi prometido por vereadores e prefeitos eleitos?
Na cidade de São Paulo, por exemplo, o prefeito eleito – Ricardo Nunes (MDB) – prometeu durante a campanha que não haveria reajuste nas passagens de ônibus. Não foi o que aconteceu, já que, recentemente, ele anunciou um reajuste de 13,6% elevando a tarifa de R$ 4,40 para R$ 5,00, a partir de seis de janeiro de 2025.
Já a matéria do G1 do último dia 30 de dezembro, quase no apagar das luzes de 2024, mostrava que menos da metade das promessas feitas pelos prefeitos das capitais durante o mandato de 2021 a 2024 foi cumprida totalmente, ou seja, das “1.090 promessas feitas pelos então candidatos nas eleições de 2020 [...] 45% foram cumpridas totalmente, 22% foram cumpridas em parte, e 33% não foram cumpridas”. Algumas delas, pelo que se vê, não saíram do papel!
Em Bragança Paulista, teremos um “mANdatO novo”. Isso mesmo: conforme se brinca com as letras em destaque, temos um ano novo e um mandato novo. O prefeito eleito – apesar de ser do mesmo grupo político atual – deixa a Assembleia Legislativa do estado de São Paulo (após ter ocupado esse lugar por sete mandatos) e assume o Executivo Municipal com seu plano de governo eleito.
O que ele prometeu fazer?
Em seu plano de governo (disponível no site do TSE), ao longo de 14 páginas, o prefeito eleito traz, logo de início, seus objetivos, o que estaria descrito em quatro frentes, a saber: I) continuidade das políticas públicas; II) diagnóstico do novo cenário para o próximo período; III) soluções inovadoras para os desafios a serem enfrentados; e IV) fortalecer Bragança Paulista como indutora da região.
As propostas, na realidade, ficam meio difusas e diluídas junto aos indicadores que exaltam a cidade e a região. Essencialmente, ao que parece, o foco é na geração de emprego – físico e digital – fomento ao comércio, ao produtor e ao empreendedor.
Não se localiza propostas muito claras e precisas em torno de demandas candentes do cotidiano de uma cidade, como relacionadas à educação, mobilidade, infraestrutura, etc.
Lembremos então da promessa feita pelo prefeito eleito de Bragança em suas redes sociais durante a campanha ao anunciar tarifa zero, garantindo “ônibus gratuito com a reestruturação das linhas e fiscalização rigorosa dos horários, para garantir mais investimentos no transporte coletivo e obras de mobilidade”. Fiquemos de olho para lembrá-lo dessa promessa.
Já o prefeito que deixa o cargo brinda a cidade com novas taxas, como a taxa da rodoviária e taxa de luz. Ele tinha prometido isso?
Lembremos também das promessas feitas pelos representantes do Legislativo. A centralidade deve ser demandas de interesse coletivo, que digam respeito ao conjunto da sociedade e que sejam factíveis. Não estão no combo questões de cunho moral ou que fujam do alcance municipal, mesmo porque ainda não temos o cargo de vereador federal!
Que não percamos de vista as promessas feitas para esse ano novo – seja as que fazemos a nós mesmos ou as que nos são prometidas!

Gisele A. Bovolenta é assistente social e professora na Universidade Federal de São Paulo.
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