É óbvio que nem todas as pessoas gostam de futebol e música. Mas a maioria ouve música e, no Brasil principalmente, também gosta do esporte bretão. Em época de Copa do Mundo, mesmo algumas pessoas que torcem o nariz quando acompanhamos, aí sim com verdadeiro sofrimento, nosso time nos gramados, arriscam uma torcida para seleção.
Mas não estou aqui para comentar a Copa e sim falar sobre a paixão, que independente de estilo, ultrapassa o limite das quatro linhas. Tanto roqueiros como sambistas, sertanejos e músicos da MPB em geral, tem em comum a paixão pelo esporte e por um clube. Contudo, os mais exaltados não ficam satisfeitos apenas em torcer e levam essa paixão para os estúdios e gravam músicas que tentam retratar nosso amor por esta modalidade esportiva.
No Brasil, um dos mais entusiastas é Jorge Ben Jor. Ele escreveu a letra de “Umbabarauma”, que foi regravada pelo Soulfly, banda que Max Cavalera montou ao deixar o Sepultura. Ben Jor também é autor da canção “Fio Maravilha”, atacante flamenguista da década de 70. Outro apaixonado pelo esporte é o cantor e compositor Chico Buarque, que sempre deixou clara sua paixão pelo Fluminense, clube do Rio de Janeiro.
A música pop também se rende ao futebol. A paixão dos mineiros do Skank pela modalidade esportiva nunca foi segredo, até mesmo pelo motivo do vocalista Samuel Rosa se apresentar com camisetas de clubes em shows no início da carreira da banda. A paixão chegou ao ápice quando o quarteto musicou e gravou a letra do cantor e compositor Nando Reis, “É uma partida de futebol”.
A letra relata quase tudo o que ocorre durante os 90 minutos de um jogo. A canção tornou-se um dos maiores sucessos do Skank e até hoje os caras são obrigados a executá-la. Outra banda que gravou música sobre essa paixão, inclusive com participação do locutor Sílvio Luiz, foi a Dr. Sin. Os caras gravaram “Futebol, mulher e rock’n’roll”. A música fala sobre a paixão pelo futebol, pelas mulheres e pelo rock, e tudo isso em meio à narração de um dos locutores mais populares do Brasil.
E a criatividade é tanta para falar sobre futebol que, além de homenagens ao esporte ou a algum personagem, há espaço para curtição com algum famoso ou mesmo crítica. A banda capixaba Conjunto de Música Rock Merda, em 2011, lançou o hit daquele ano com “Maradona”. A letra fala sobre o craque argentino e diz que ele deveria defender o Flamengo, time do coração de Mozine, vocalista e guitarrista do grupo. Em 2012, a banda lançou outra música, dessa vez, para criticar Neymar e elogiar craques do passado, principalmente aqueles que tinham visual alternativo. Em “Nem todo brasileiro que gosta de futebol, gosta do Neymar”, os capixabas deixam claro seu descontentamento com o “craque”.
E além da música, o futebol cativa cineastas, atores, quase todos os nichos da população brasileira e mundial. Não posso encerrar o texto sem citar o escritor inglês Nick Hornby, autor de “Febre de Bola”. Em seu primeiro livro, Hornby escreve praticamente sua autobiografia, mas tudo com as partidas do Arsenal, clube de Londres, como cenário principal. Ele é apaixonado pelo esporte e pelo clube.
A paixão pelo esporte não tem fronteiras e há diversas maneiras de render-lhe homenagens. Escrevi somente sobre algumas músicas, mas são muitas as canções que exaltam o esporte. Lembrei do livro de Nick Hornby, mas no Brasil há centenas de escritores que se dedicam a escrever sobre futebol. O cinema nacional também se rende a uma de nossas maiores paixões. Um exemplo brilhante é o filme de Ugo Giorgetti, “Boleiros”, lançado em 1998, uma obra-prima para quem é apaixonado por esta modalidade esportiva.
Ivan Gomes, 36, é editor do fanzine/blog Canibal Vegetariano e produtor e apresentador do programa A Hora do Canibal, que vai ao ar toda segunda-feira, das 22h30 à 0h, pela rádio Click Web
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