(E ele vai chegar
Apesar do descaso dos homens)
Renascerei
Serei de novo a menina espoleta
Cujos olhos muito grandes e verdes
Alumiam-se ainda mais diante do calor da fogueira
Quando junho chegar
Porei no corpo novamente meu multicolorido vestido caipira
E nos lábios o sabor doce e quente do vinho
Quando junho chegar
Terei as faces e os lábios
Ruborizados pelo vinho
E ainda assim serei a menina de outrora
Quando junho chegar
Eu vou dançar quadrilha
Enfeitar os cabelos com flores
E a alma com retalhos de felicidade
Quando junho chegar
E junto com ele o vento frio
Contarei em seu ouvido
O que ele sempre me segreda
E juntos seremos festa
Porque junho chegou
(Ana Raquel Fernandes)
Sempre que o mês de junho se aproxima, algo extraordinário acontece dentro de mim. É como se de repente, assim que os ares começam a soprar mais frios, e as noites começam a estender-se, algo em mim, como um alerta quase que biológico me indicasse que junho está se aproximando.
E esse é um evento importantíssimo, acreditem.
Simplesmente amo os dias juninos, a festividade que se instala no ar, sem pedir licença. As cores todas do mês de junho, que apesar de frio, é sempre multicolorido, da cor das muitas flores dos vestidos das caipirinhas, com suas saias rodadas e babados. Colorido feito os entardeceres que mais parecem ser obra de uma parceria entre o Altíssimo e Vincent.
Gosto inclusive do frio do mês de junho, não à toa nasci no dia em que começa o inverno, época em que os sábios povos maias celebravam o Deus Sol. Guardo em mim, em algum recôndito profundo sua luminescência, eu sei, e recorro a ela todas as vezes em que, por algum motivo, meus dias ficam mais escuros.
Trago comigo a doçura do vinho quente e a força impetuosa do vento que corta as noites geladas do mês de junho. Sou só uma menina nesses dias, ansiosa pela chegada das celebrações juninas e todo o seu encanto. Quero pular fogueira, quero dançar quadrilha, quero celebrar a força do povo caipira que tanto contribuiu para a formação do povo brasileiro.
E mais do que isso, quero celebrar a vida, e com tudo a que tenho direito. Sim, eu amo fazer aniversário, a despeito de ser absolutamente consciente da passagem do tempo e as dificuldades que ela costuma trazer consigo.
Aliás, acho mesmo que seja esse o maior motivo de comemoração, estou mais velha e ainda aprendendo feito criança. Há um ano atrás apenas foi que aprendi a nadar, pasmem, e hoje, o que era motivo do mais sincero medo, é um exercício tão prazeroso, que não sou capaz de faltar a uma aula, às sete da manhã, mesmo nos dias mais frios.
Pois é, junho chega e traz com ela minha coragem e esperança renovadas. Sim, porque uma não pode existir sem a outra, jamais. Toda vez que junho chega, volto a ser a menina travessa da infância, a quem Ele presenteou com uma enorme gana de viver e uma generosa pitada de poesia. Viva! Junho chegou!
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