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Que a esperança vença o ódio!

Enfim chegou a hora de definirmos o futuro do Brasil. Como em “Guernica”, de Pablo Picasso, uma flor resiste em meio ao caos em que mergulharam nosso país. A diferença entre nossa flor e a de Guernica é que a nossa está robusta, cheia vida e nada há de interditá-la no caminho da reconstrução dessa nação que padece sob os desmandos, descasos e desmontes dos que a comandam e querem conduzi-la de volta à colonização.

O nível de obscurantismo que assolou nossa pátria é tão grande que sentimos saudade de quando as eleições eram disputas saudáveis, em que cada lado defendia seu candidato por sentir-se representado, ou mesmo por ter sido por ele iludido, mas longe do que vemos hoje, um destilamento diário de ódio, uma temida guerra espiritual e santa que entorpece as pessoas e as leva a acharem normal e tranquilo que se seja necessário matar as que lhes fazem oposição.

Discurso de ódio é o combustível dos antidemocráticos. Mentiras são os fósforos com que ateiam fogo para todos os lados, principalmente em igrejas, que se levantaram para cultuar o pecado, enredando seus fiéis em um emaranhando de falsos testemunhos de fazer o diabo ficar lisonjeado. Desinformação é lenha que alimenta esse fogo, incendeia a democracia e quer destruí-la, queimá-la em praça pública frente aos olhos de seus cidadãos.

“Deus, Pátria e Família”, os lemas do partido integralista brasileiro, criado em 1930, inspirado nos ideais e práticas fascistas propagadas na Europa após o término da Primeira Guerra Mundial, tem sido o lema daqueles que buscam o fim da democracia brasileira.

Em nome de Deus, praticam, incentivam e autorizam a barbárie “dentro das quatro linhas da Constituição” e com o aval de religiosos. 

Em nome da Pátria, armam a população até os dentes, destroem a Amazônia, inviabilizam a cultura, desmontam covardemente a educação, combatem a investigação da corrupção, profanam templos, vociferam contra os direitos humanos, desinvestem em ciência e tecnologia, desestimulam campanhas de vacinação, propagam mentiras, desmentem a fome, incentivam a violência, usurpam da nossa bandeira, simulam atentados e fazem vítima fatal (real), distribuem dinheiro público sob orçamentos secretos, debocham da população que, inebriada, veste verde e amarelo e carrega no peito o nome de seus algozes com orgulho de sua alienação. 

Em nome da família, sexualizam discursos cívicos, cultos evangélicos, homilias católicas na presença de crianças, pouco se importando com os discursos torpes e mentiras pastosas e nauseantes na frente daquelas que, sobretudo, deveriam ser poupadas de tamanha aberração.

Entristecemo-nos de ver quantas e quantas pessoas foram engolidas por esta abominação. Entristecemo-nos em ver quantas e quantas pessoas se uniram ao obscurantismo por puro oportunismo mesmo sabendo o quão nocivo este caminho é para nossa nação. Entristecemo-nos por aqueles que estão sendo enganados e se veem representados por “líderes” que só pensam em si próprios, nas suas próprias famílias, nos seus aliados e debocham todos os dias desta nação.

Em 2002 a esperança venceu o medo. Que em 2022 a esperança vença o ódio, vença a mentira deslavada, vença o descalabro, vença a cegueira, vença a máquina pública trabalhando contra a nação.

Nós escolhemos a democracia e temos a certeza de que não nos envergonharemos desta decisão.

Andreia Catadori Castilho, pedagoga e professora de Língua Portuguesa

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