Matamos um rio, alguns milhares de muçulmanos e uma centena de franceses. Matamos diariamente a esperança de ressuscitarmos nossa própria humanidade.
E enquanto crianças sírias morrem por conta de um “erro”, a maioria de nós se preocupa em gastar o que nem tem na ilusão da “Black Friday”.
De fato, nós só entendemos mesmo daquilo que se pode comprar. E há homens que se permitem vender, isso é o mais triste.
Bandeiras, homenagens, tudo isso a meu ver não passa de empolgação de momento. Poucos são os que sentem a dor do outro verdadeiramente e dela se apropriam como se fosse sua própria, como se não houvesse fronteiras entre minha alma e a do outro, porque somos todos um naquilo que Ele nos criou. Deveríamos estar ligados por sentimentos profundos que ultrapassam barreiras culturais. Deveríamos ser: Humanos.
O Natal se aproxima e eu me pego imaginando a cena de mais de dois mil anos atrás.
O menino no ventre da Virgem deve agitar-se ao som dos bombardeios. Maria deve estar em trabalho de parto adiantado já, assustada, acuada pelo medo de falhar e não conseguir trazer ao mundo o Eleito de Deus.
As ruas estão desertas como está deserto o coração do homem. O amor e a compaixão se esfriaram.
Onde então encontrar pouso?
O Amor encarnado agita-se no ventre da mulher escolhida, mas há de ganhar a luz. O mundo o espera, sedento que anda de amor e piedade.
O mundo ainda o espera. Vem, Senhor!
Prometo fazer-lhe morada segura em minha alma. Sei que não sou digna de sua presença, mas, ao mesmo tempo, ela é tudo quanto minha alma cansada do mal, necessita.
O mundo o espera, Senhor. Vem, ensina-nos novamente a ser irmãos.
Transmuta a luz das bombas que percorrem o céu naquela estrela daquela noite memorável!
E nós a seguiremos, tal qual o fizeram os reis magos, e lhe ofereceremos presentes. Mas reis que não somos, perdoe-nos, mas não lhe ofereceremos presentes caros, ou melhor, presentes que se pode comprar, ofereceremo-lhe nosso coração.
E o Senhor, misericordioso como é, irá curá-lo. E nesse dia, haverá paz na Terra.
Eu já consigo ver as crianças sírias, as judias, as francesas, as palestinas, todas elas brincando na relva de Seu jardim. E tudo que ouço é seu riso estridente de criança, não há mais bombardeios, a paz reina!
O Senhor está no meio de nós!
0 Comentários