Mesmo que você seja iniciante na cozinha, mas aficionada por goiabas (como a turma aqui de casa), será capaz de preparar as goiabas em calda rapidamente e receber elogios.
Goiaba me remete àqueles doces antigos, de avó, que levavam horas no fogo, espirravam e sujavam o fogão todo. Mas estas goiabas em calda são uma tradição que minha mãe, Adair, e meu irmão, Luciano, preparam há décadas nesta época do ano, em que as goiabeiras da chácara dele, em Tuiuti, são generosas na produção das goiabas caipiras.
Chamo-as de “caipiras” pois são frutas que quase não existem mais; estão em extinção estas goiabeiras que existiam em todos os quintais: sem agrotóxicos, amarelas por fora, com a polpa vermelhinha por dentro, as pintas pretas na casca e, muitas vezes, com os bichinhos da goiaba “saracotiando” nas sementes.
Domingo, o Luciano me presenteou com duas sacolas destas goiabas, que perfumaram o carro todo na volta de Tuiuti e, à noite mesmo, já preparei o doce e a geleia seguindo a receita da família, que, na verdade, só vai açúcar e cravo na medida certa.
A receita não tem segredo, requer paciência e zelo para preparar e, na minha opinião, é uma terapia. Pegar fruta a fruta, retirar as sementes reservando para depois fazer a geleia (receita para a semana que vem), retirando as manchinhas pretas das cascas com delicadeza para preservar a polpa de cada fruta – cada uma vem do seu tamanho e em formatos diferentes: casca mais grossa, umas mais redondas, outras mais ovais, mas todas com o sabor e o perfume que o Criador escolheu para a goiaba.

Mas, se não tiver a sorte que tenho de conseguir as goiabas caipiras com as quais meu irmão me presenteia, pode comprar as do supermercado. O doce será feito da mesma maneira, você terá menos trabalho para preparar as goiabas e, talvez, a impossibilidade de, como eu, “filosofar” enquanto prepara a receita para a família.
Doces à base de fruta dependem muito da doçura natural delas. A dica é: coloque sempre menos açúcar, experimente e, se estiver faltando, vá completando as colheradas para não adoçar demais.
- 1 quilo de goiabas maduras (já sem sementes)
- 250 gramas de açúcar refinado
- 3 cravos da índia (retire sempre a bolinha – que é o botão de cada cravo –, antes de colocar no doce para não esfarelar e espalhar na calda)
Limpe as goiabas com papel toalha ou pano de prato sem usar água, e reserve.
Corte cada uma ao meio no sentido comprimento e, com uma colher de sobremesa ou de café, delicadamente, retire as sementes de cada metade e as pintas pretas da casca. Depois de limpas, pese estas metades para medir o açúcar.

Reserve as sementes sem bichinhos numa tigela (você poderá usar para fazer geleia ou doce de colher – trarei a receita na semana que vem)
Coloque as goiabas numa panela, o açúcar e os cravos. Não vai água! Ligue o fogo na chama baixa e, quando começar a esquentar, mexa com colher de pau.

À medida que for aquecendo, a goiaba solta o próprio líquido e forma a calda com o açúcar. De vez em quando, mexa delicadamente para que todas as metades cozinhem por igual. Depois de cerca de 30 minutos, desligue o fogo e deixe esfriar na panela de um dia para outro. Leve gelar.


Até nosso próximo encontro!
Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.
Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Paulista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
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