Aproveitando que ainda estamos com a “Festa da Linguiça” na cidade; que estou em festa, comemorando com alegria a mensagem de vídeo que a prefeita do município de Potim me enviou por ter recebido das mãos do diretor Roberto, da EMEF Judith Weber, o meu livro de receitas bragantinas; que estou na fase saudosismo (que de vez em quando é bom também), trago mais uma sugestão fácil e tradicional resgatada para vocês, leitores.
Esta coluna terá foto para relembrar do Curso de Turismo Rural que fiz no ano de 2006 aqui em Bragança, por meio do Sindicato Rural, no qual em cada encontro mensal, tínhamos de desenvolver as propriedades dos alunos inscritos para se tornarem pontos turísticos e, num deles, fizemos no almoço a polenta com molho de linguiça.

A polenta sempre foi um dos pratos apreciados e usados na culinária bragantina. O uso da famosa linguiça em diferentes preparos fez o tradicional molho de carne moída da polenta ser substituído pelo molho com pedaços de linguiça, tornando a polenta com linguiça um prato muito apreciado.
O processo de preparo da polenta, que demorava muitas horas para ser cozida, ficou no passado pois, com os avanços culinários, ela começou a ser preparada na panela de pressão, utilizando um terço do seu tempo de cozimento.

Esta receita de polenta de panela de pressão foi desenvolvida aqui na cidade por uma senhora bragantina lá pelos anos de 1970, que viveu quase nove décadas e que tive o prazer de conhecer e conviver, e a quem devo o aprendizado de muitos segredos dos docinhos de festa. Ela se chamava Odila Ramos e, além de fazer doces e cozinhar, também hospedava em sua residência algumas jovens estudantes que aqui chegavam para estudar Medicina, no início deste curso em nossa antiga Faculdade São Francisco (hoje Universidade São Francisco), oferecendo-lhes um local familiar para morar e comer bem.
Claro que, naquele momento da aula, usando a enorme panela de pressão, pudemos, com toda técnica e embasamento de cálculo, aumentar a receita, que é para uma panela de pressão padrão, com capacidade de 4,5 litros.
Abaixo a receita, pois o leitor vai querer preparar, certamente.
Molho de linguiça
Meio quilo de linguiça de pernil (fresca)
1 1/2 xícara (chá) de óleo
2 cebolas picadinhas
6 tomates sem pele picados
Polenta (não coloque mais que esta medida na panela de 4,5 litros)
1 ½ xícara (chá) de fubá mimoso
6 xícaras (chá) de água fria
1 cubo de caldo de carne
1 dente de alho
Sal a gosto
Preparando o molho de linguiça:
Coloque a linguiça numa panela com água até cobri-la e cozinhe-a para que saia o excesso da gordura. Quando levantar fervura, deixe mais cinco minutos. Retire da panela, jogue a água e pique a linguiça em rodelas de cerca de 2 cm.

Foto: arquivo Maria Inês
Na mesma panela, coloque o óleo e frite as cebolas picadas, junte os tomates e mexa até começarem a amolecer e desmanchar, até formar um molho, juntando depois as linguiças picadas. Deixe ferver, prove o sal; se o molho estiver muito grosso, pingue um pouco de água, cozinhe um pouco mais e reserve.
Preparando a polenta:
Numa vasilha, coloque o fubá e misture 3 xícaras de água fria e deixe descansar.
Na panela de pressão, ferva as outras 3 xícaras de água, o caldo de carne e o dente de alho inteiro.
Depois da água fervida, coloque o fubá hidratado, misture bem com uma colher de pau, vá mexendo até perceber que começa a ferver e o caldo de fubá encorpar. Feche a tampa da panela de pressão e deixe cerca de 10 minutos fervendo, até começar a dar a pressão (fazer o chiado) e desligue. Espere uns dois minutos para abrir.
Com a colher de pau, dê uma mexida e retire da panela a polenta com cuidado e arrume na travessa, alternando camadas da polenta com o molho de linguiça.

Até nosso próximo encontro!
Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.
Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Paulista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
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