Nestes dias em que minha cunhada, Maria Lúcia, esteve conosco (ela reside em São Paulo e vez ou outra vem passar temporadas aqui no Sítio São João Batista); além de aproveitar para fotografar diversas receitas que ela preparou para trazer depois nos meus conteúdos desta coluna, foi oportunidade de relembrar daquelas receitas que minha sogra fazia para a família. Afinal, a Lúcia tem um caderno superorganizado, com uma coletânea de receitas deliciosas que, para nossa sorte, vem com ela e é muito usado nas temporadas aqui em casa.
Uma das receitas relembradas foi da rosquinha que minha sogra, Dona Elisa, preparava com muita frequência para a família. Para mim, é lembrança dos cafés da tarde dos domingos de um tempo em que eu nem era casada ainda (nesta semana, completei 39 anos de casamento). Eu a tinha copiada num retalhinho de papel de rascunho, observando-a fazer as rosquinhas na cozinha do sítio, uns quarenta e poucos anos atrás.

É uma massa básica fermentada que minha sogra usava para o preparo de pão caseiro adicionando sal e retirando o açúcar, para fazer sonhos recheados de goiabada, que eram especiais e faziam a festa da criançada e as rosquinhas. Meu filho Rafael, há algum tempo preparava, igualzinho a avó, estas rosquinhas que, após assadas, levam pincelado por cima café bem doce para dar um brilho especial.
E aproveitando o feriado, resolvi testar e fazer sozinha, pois a cunhada voltou para Sampa. O resultado foi positivo, mas faltou a maestria do enrolar de cada rosca para que ficassem uniformes e bonitinhas; fui pegando o jeito na última fornada.
Lembrete: A massa deverá crescer três momentos: antes de colocar a farinha, após sovar e depois das rosquinhas prontas. Portanto, reserve um dia que tenha ao menos algumas horas disponíveis para o preparo.
Numa tigela grande, coloque:
- 60 gramas de fermento Fleischmann fresco (ou 4 cubinhos de 15 g cada)
- 1 pitada de sal
- 1 xícara (chá) de açúcar
- 1 copo (tipo americano) de água morna
- 2 copos (tipo americano) de leite morno
- 1 xícara (chá) de óleo
- 3 ovos inteiros batidos levemente

Misture tudo muito bem até dissolver totalmente o fermento, cubra com um pano de prato e deixe descansar até começar a fermentar (cerca de 15 minutos).
Depois de crescida, junte aos poucos nesse fermento:
1 quilo e meio de farinha de trigo (vá misturando com uma colher até chegar o ponto de sovar com as mãos).
Numa superfície lisa vá sovando a massa e “bata”, jogando na superfície com força por mais ou menos 20 vezes (para que o crescimento aconteça).
Coloque na tigela e deixe crescer.
Prepare as assadeiras untando com óleo e farinha de trigo e reserve.
Depois da massa crescida, pegue pedaços dela, faça cobrinhas finas, dobre ao meio e enrole juntando as pontas formando as roscas. Vá colocando na assadeira e, novamente, deixe crescer até dobrar de volume e praticamente se juntarem na assadeira.

Leve assar em forno pré-aquecido a 200º C por cerca de 40 minutos.
Retire do forno e pincele com café preto bem doce para dar brilho.
Rende cerca de 40 a 45 unidades.

Até nosso próximo encontro!
Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.
*Fotos: arquivo Maria Inês
Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Paulista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
0 Comentários