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Editorial

Respeito e decoro precisam prevalecer no Legislativo – e em qualquer espaço público

A 40ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Bragança Paulista, realizada na última terça-feira, 4, ficou marcada por um episódio lamentável que extrapolou os limites do debate político e do decoro parlamentar. O que era para ser um evento solene e produtivo acabou em bate-boca e desrespeito, ofuscando as conquistas do Legislativo e colocando em xeque a postura dos parlamentares.

Na ocasião, uma discussão entre os vereadores Gabriel Curió e Ismael Brasilino transformou o Plenário em um palco de ofensas pessoais. Em meio à troca de palavras, Curió dirigiu-se ao colega chamando-o de “covarde” e “vereadorzinho de ‘bosta’” – expressões inaceitáveis em qualquer ambiente público, e ainda mais graves quando proferidas dentro da Casa do Povo.

Independentemente da razão para a discordância, o respeito mútuo é condição mínima para o funcionamento do Legislativo e sua credibilidade perante a população. Divergências políticas fazem parte do processo democrático, mas insultos e ataques pessoais jamais podem substituir o diálogo, o argumento e a civilidade.

Da mesma forma, é importante destacar que o tema levantado pelo vereador Ismael Brasilino, sobre o possível furto de alimentos na copa da Casa, não deveria ter sido levado ao Plenário. Questões administrativas e internas precisam ser tratadas de forma institucional, junto à Presidência da Câmara e aos órgãos competentes, evitando expor servidores e parlamentares sem a devida apuração. O local deve ser reservado a discussões de interesse público, voltadas à população bragantina, e não a conflitos de bastidores e situações do convívio cotidiano.

Ainda assim, se for confirmada a ocorrência de furto ou mesmo uma “brincadeira de mau gosto”, como admitiu o vereador Gabriel Curió, o fato é grave: a Câmara Municipal é um espaço que deve servir de exemplo de ética e responsabilidade, e qualquer conduta que desrespeite funcionários ou o patrimônio público precisa ser tratada com a seriedade que o caso requer. Transparência e integridade são valores inegociáveis em um espaço como esse.

Em tempos em que a sociedade exige compromisso e seriedade dos seus representantes, episódios como o ocorrido na última sessão apenas reforçam a necessidade de resgatar o decoro, a postura e o bom convívio dentro do parlamento bragantino, com cada vereador – um funcionário a serviço do povo – honrando cada voto e a confiança recebida de seus eleitores.

A população espera – e tem o direito de esperar – uma Câmara séria, que debata ideias, propostas e formas de melhorar a vida dos cidadãos, com responsabilidade e bom senso.

Ah, e em tempos de redes sociais, os eleitores estão mais atentos e vigilantes do que nunca: é preciso ter cuidado e comprometimento redobrados!

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