O governo federal oficializou, às vésperas do Natal, o novo valor do salário mínimo nacional. A partir de 1º de janeiro de 2026, o piso passa a ser de R$ 1.621, conforme publicação no Diário Oficial da União. O reajuste representa um aumento de 6,8% em relação ao valor atual, de R$ 1.518, o que equivale a pouco mais de R$ 100.
Com o novo valor, o salário mínimo corresponderá a R$ 54,04 por dia e R$ 7,37 por hora, considerando a jornada legal de trabalho.
O reajuste segue a política de valorização do salário mínimo retomada pelo governo Lula. Pela regra vigente, o piso é corrigido anualmente pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses até novembro, somada ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes — neste caso, o desempenho da economia em 2024. Esse crescimento, no entanto, está limitado a 2,5% ao ano, em razão do novo arcabouço fiscal.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o modelo garante ganho real aos trabalhadores, diferentemente do que ocorreu nos governos anteriores de Michel Temer e Jair Bolsonaro, quando o reajuste se limitava à reposição inflacionária.
“Esse modelo teve efeitos adversos sobre o poder de compra em um contexto de inflação relativamente elevada”, destacou o Dieese em nota técnica. De acordo com o órgão, entre 2020 e 2022, a simples correção pela inflação não foi suficiente para compensar a alta dos preços, especialmente dos alimentos, que subiram acima da média e impactaram de forma mais intensa as famílias de baixa renda.
O salário mínimo é a menor remuneração permitida para trabalhadores formalizados no país e, conforme determina a Constituição Federal, deve ser capaz de atender às necessidades básicas do trabalhador e de sua família, como moradia, alimentação, saúde, transporte, higiene e lazer. Ainda assim, o Dieese calcula que o salário mínimo ideal para uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.067,18, valor apurado em novembro de 2025 — o equivalente a 4,3 vezes o novo piso nacional.
Atualmente, cerca de 62 milhões de brasileiros têm sua renda vinculada ao salário mínimo, incluindo trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais. Com o novo valor, o Dieese estima que o reajuste resultará em um incremento de R$ 81,7 bilhões na economia, impulsionando o consumo e a arrecadação.
Embora os salários referentes ao mês de janeiro sejam pagos apenas em fevereiro, as empresas devem aplicar o novo valor já na folha de janeiro. A atualização antecipada evita pagamentos abaixo do mínimo legal, bem como ajustes retroativos e inconsistências na folha de pagamento.
Com a medida, o governo federal reforça a política de valorização do salário mínimo como instrumento de combate à desigualdade e estímulo à economia.
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