O Outubro Rosa é uma campanha mundial cujo objetivo é alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama e do colo do útero.
O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres pelo mundo todo. Existem diversos tipos de câncer de mama: alguns evoluem de forma rápida; outros, não. A maioria dos casos tem bom prognóstico. Estima-se que anualmente ocorram 2,3 milhões de novos casos da doença, representando aproximadamente 24,5% de todas as neoplasias diagnosticadas em mulheres.
Apesar de raro, homens também podem ter câncer de mama – os casos representam 1% do total, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A reportagem do Jornal em Dia Bragança conversou com Octávio de Oliveira Santos Filho, doutor em Obstetrícia pela Universidade Federal de São Paulo, Escola Pau-lista de Medicina, para saber mais sobre os sintomas da doença, detalhes de como são realizados o diagnóstico e o tratamento, entre outros assuntos.

Octávio atualmente atua como gestor do Hospital da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Campinas, onde também é professor adjunto e, além disso, é membro da Comissão Nacional de Pré-Natal de Alto Risco da Febrasgo (Federação Nacional de Ginecologia e Obstetrícia).
Conforme explicado pelo obstetra, “o câncer de mama não costuma dar sintomas, apenas em casos de diagnósticos tardios”. A exceção seria a “doença de Paget”, um câncer de mama inflamatório e raro, que se desenvolve na pele do mamilo e na aréola. Os principais sintomas incluem vermelhidão, descamação, sangramento, queimação e líquido amarelo na região. Mas outros tipos de câncer não costumam apresentar sinais, apenas se houver úlceras na pele.
De acordo com o especialista, os sintomas dos homens são os mesmos das mulheres. “No ambulatório de Mastologia da PUC, que é centro de referência da doença, já apareceram pacientes homens com tumor na mama, apesar da raridade”, conta.
Ele explica que o diagnóstico do câncer de mama, por ser uma patologia mais frequente entre os 40 a 60 anos, é geralmente feito pela mamografia, que representaria uma descoberta mais precoce, mas pode ser feito pela ultrassonografia e também pelo autoexame, pela própria paciente, quando ela notar um nódulo na mama. Este é o caso de Neuza Rigoletto Cecília, de 94 anos.
A aposentada relata que, aos 91 anos, estava tomando banho quando sentiu um caroço em seu seio e mostrou para uma de suas filhas, Maísa, que logo percebeu que o mamilo de Neuza estava afundado para dentro da mama. Quando foi ao médico, na PUC, devido à sua idade, ela não poderia fazer uma cirurgia e a quimioterapia seria muito agressiva, então, os médicos decidiram fazer o tratamento com medicamentos.
Tanto no Brasil como nos demais países, crescem os índices de cura e diminuem as mortes associadas a esses tumores graças ao aumento dos diagnósticos precoces e aos novos tratamentos.
O tratamento da doença depende do estado do tumor: se for inicial, costuma-se apenas tirar a lesão da mama, com uma margem de segurança. Já para casos mais avançados, é necessário tirar toda a mama, fazer radioterapia ou quimioterapia.
Quando não há mais cura (ocorrendo metástase no pulmão, por exemplo), é necessário ter cuidados paliativos, de forma a oferecer boas condições de sobrevida à paciente para que ela não sofra e consiga viver seus últimos dias com conforto.
Algumas mulheres precisam retirar seus seios durante o processo e acabam fazendo uma reconstrução mamária, que pode ocorrer de diversas formas. “Existe a reconstrução feita no momento da cirurgia, o que depende do tamanho da mama e do estado em que está o câncer, mas geralmente dá para fazer logo em seguida da retirada, causando um sofrimento menor para a paciente. Há dois tipos de próteses: uma, assim que colocada, deve crescê-la devagar, injetando soro fisiológico dentro até que chegue no tamanho da outra. Já tem também prótese de silicone que, quando colocada, já está no tamanho que a mama já tinha ou proporcionalmente ao outro seio”, fala o médico, ressaltando que a prótese de silicone é mais confortável para algumas pacientes, pois não terá uma cirurgia tão mutilante.
Como medidas que podem contribuir para a prevenção primária da doença, estimula-se praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, adotar uma alimentação mais saudável e evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. Amamentar também é um fator protetor.
Maisa, filha de Neuza, explica que, quando sua mãe tinha em torno de 80 anos, médicos disseram que ela não precisava mais fazer exames de mamografia, pois, com a sua idade, não teria mais riscos de ter câncer de mama. Apesar de ouvir o conselho, a aposentada nunca parou de fazer o auto-exame, o que fez com que, 11 anos depois, descobrisse que tinha a doença. Por essa razão, Neuza afirma: “acho muito importante que campanhas como a do Outubro Rosa sejam realizadas, pois incentivam mulheres a sempre realizar o auto-exame, assim como eu fiz”.
CAMPANHA OUTUBRO ROSA
O movimento internacional de conscientização para a detecção precoce do câncer de mama, Outubro Rosa, foi criado no início da década de 1990, quando o símbolo da prevenção ao câncer de mama, o laço cor-de-rosa, foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York (EUA), e, desde então, é promovido anualmente.
O mês é celebrado tanto no Brasil como no exterior com o intuito de compartilhar informações e promover a conscientização sobre o câncer de mama, a fim de contribuir para a redução da incidência e da mortalidade pela doença.
O objetivo do Outubro Rosa 2023 é divulgar informações sobre o câncer de mama e fortalecer as recomendações do Ministério da Saúde para prevenção, diagnóstico precoce e rastreamento da doença.
***
Siga o JORNAL EM DIA BRAGANÇA no Instagram: @jornalemdia_braganca e no Facebook: Jornal Em Dia
0 Comentários