Sejamos luz!

A despeito de toda discussão gerada pela instalação da decoração natalina na rotatória próximo ao antigo terminal rodoviário, venho por meio deste texto, fazer-lhes uma outra proposta, talvez até mais instigante e inovadora que aquela, tão criticada.

Eu proponho, para este Natal, que sejamos luz! Sim, eu e você, sejamos luz!

Talvez você considere essa hipótese meio absurda, ao menos a princípio, mas vou convencê-lo de que, na verdade, não é.

Basta que você feche os olhos por alguns instantes, sim, feche, esqueça o barulho lá fora, os presentes a serem comprados, o cardápio da ceia, a ceia e seus convidados, as aparências, as roupas, esqueça... e volte seu pensamento para aquela noite extraordinária de mais de dois mil anos atrás.

Tudo está quieto, a noite já vem adiantada, e Maria já não suporta mais a dor. José, esposo dedicado, sofre com ela da dor de parir o Filho do Altíssimo, nessa estranheza bendita de ser pai e filho do santíssimo Jesus. Há um certo desespero, uma angústia no coração de ambos, afinal, todas as hospedarias estão lotadas, e eles se perguntam: Onde nascerá o Filho de Deus?

E eu me pergunto ainda hoje: Onde nasceria o Filho de Deus?

Na imundície. No recanto mais desprezível, em meio ao odor de fezes de animais e aos mugidos que celebravam a chegada do Verbo encarnado. Jesus nasceria numa estrebaria, contrariando as tolas previsões dos homens arrogantes, que cegos pelo poder, interpretam erroneamente o que vem a ser sua realeza.

E eu tenho pra mim que, nascendo ele hoje, nasceria no meio daqueles a quem desprezamos, da escória da sociedade, daqueles que não celebram o Natal com ceia e exageros, daqueles a quem nossa vaidade detesta, porque não os reconhecemos como Ele o faria, como nossos semelhantes, próximos, irmãos.

Mas voltando às luzes... Eu ouso convidá-lo novamente, sejamos luz!

É o menino-Deus mesmo quem nos convoca a essa missão, ser Luz do mundo, e eu, como sua humilde discípula, relembro apenas suas palavras.

“Queridos, não se preocupem com enfeites, ornamentos, luzes, presentes, roupas, e todo esse consumismo exacerbado, nem tão pouco em exercer fingido amor nessa época do ano. Não, eu os conheço e sei o que vai no profundo de seus corações.

Eu nasci e isso deve vos bastar para seguir celebrando a vida, a vida que vos dei.

Sejam luz, porque o mundo anda mesmo às escuras, muitos de vocês se esqueceram de mim e vagueiam cegos por poder e ambições tão passageiras.

Eu nasci! E aquela estrela reluzente de Belém é apenas uma centelha de luz se comparada à que meu amor insano instaurou em vós.

Amem-se e essa luz se fortalecerá tanto, que ninguém poderá resistir ao seu brilho e encanto. O Eterno agora habita em vós!

Eu nasci! Celebrem!!!”

 

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