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Educação

Servidores de escolas municipais relatam falhas com  protocolos para Covid-19

Com o aumento dos casos de falecimento por Covid-19, inclusive de professores, no município, o Jornal Em Dia tem recebido diversas reclamações, vindas de servidores da rede municipal de ensino, preocupados com possível proliferação da doença dentro das escolas. 

 “Foi anunciado que várias medidas seriam tomadas em relação à distribuição de materiais para os protocolos de higienização, com a distribuição de dois  totens de álcool, dois tapetes sanitizantes,  álcool gel e líquido em todas as dependências das escolas, duas máscaras por aluno e por funcionário, face shield, funcionários suficientes para limpeza, número adequado de alunos por sala para manter o distanciamento, entre outras medidas que estão no documento do protocolo da Secretaria Municipal de Educação, mas muitas não estão acontecendo na prática.  As escolas receberam apenas um totem, um tapete, as máscaras são de péssima qualidade. E álcool, sabão líquido e toalhas de papel estão sendo comprados pelos diretores, muitas vezes com dinheiro do próprio bolso”, declarou uma das fontes, que prefere não ser identificada.

De acordo com informações, assim que as aulas começaram, as medidas de segurança foram sendo, aos poucos, deixadas de lado. Quando os casos de alunos e funcionários começaram a aparecer, veio a orientação, aos que adoeceram, para “abafar o caso”, ou seja,  para que não se falasse sobre o assunto. "Não querem que os pais sejam avisados para não alarmar a comunidade”, fala outra fonte, que também não quer ser identificada. 

Esses relatos, e os demais, no decorrer da matéria, chegaram diretamente à redação do Jornal Em Dia. No entanto, há vários outros, inclusive de familiares de alunos, sendo compartilhados em redes sociais, em especial no Facebook e no Whatsapp. 

“Todas as escolas municipais tiveram reunião de pais presencialmente, o que gerou grande aglomeração. A Secretaria de Educação não autorizou que essas reuniões acontecessem de forma on-line. Soubemos, também, que muitos profissionais do grupo de risco tiveram seus atestados para trabalho remoto indeferidos",  explica uma das fontes. 

Em um desses atestados considerados indeferidos, o médico deixa claro que a paciente deve permanecer afastada do convívio social imediato, até que haja a imunização. Mesmo assim, o seu parecer foi desconsiderado. 

INSATISFAÇÃO E PREOCUPAÇÃO

A insatisfação dos funcionários não é apenas com o modo que, segundo eles, a Secretaria de Educação vem lidando com a questão do aumento de casos da doença. Mas também em relação às famílias dos alunos. 

“Muitos familiares não fazem ideia da realidade das escolas, acham que não queremos trabalhar. O que queremos é apenas que nosso trabalho possa ser feito com segurança. As pajens, por exemplo, precisam trocar e dar banho nas crianças pequenas. Não têm como fazer isso sem o contato físico. É impossível manter o distanciamento das crianças nas turmas de educação infantil e do ensino fundamental. Mesmo que não fiquem doentes, podem transmitir o vírus para as famílias. Nós também temos família”, enfatiza uma terceira servidora que, assim como as demais,  prefere não se identificar. 

Outra questão que tem trazido insatisfações e dúvidas, é em relação à sobrecarga de trabalho: “Com o afastamento de professores por conta de comorbidades em relação à Covid- 19 e sem professores excedentes, os alunos são divididos entre aqueles que estão em atividade. Existe a questão de garantir o direito dessas crianças de frequentar a escola. Mas qual é o direito do professor, enquanto profissional? Já existe a sobrecarga funcional, do acúmulo de aulas presenciais e remotas. E agora, o acúmulo de alunos”, reflete a fonte.  

O município estava na fase amarela até sexta, antes da nova reclassificação do Plano São Paulo, mas já regrediu para a fase laranja. Na fase anterior, é permitida  a  frequência de 70% dos alunos em modo presencial. Durante a semana, o secretário municipal de Educação, Adilson Condesso, alegou, em entrevista à Rádio 102 FM, que as escolas não estavam recebendo essa quantidade de crianças, permanecendo na casa dos 35%. Entretanto, entre as preocupações que chegaram à redação do Jornal Em Dia, estão as de professoras que afirmam que estão trabalhando com a sala com a capacidade de 70%, “o que é muito preocupante devido ao momento que estamos vivendo, com os hospitais operando com 100% de sua capacidade”, afirmaram. 

Além disso, existe a reclamação de que os gestores das unidades não estão dando a devida atenção aos casos de suspeita de possíveis contaminação por coronavírus relatadas pelos servidores. São casos de crianças, que mesmo sem apresentar sintomas da covid, têm contato indireto com familiares que estão em tratamento por conta da doença.

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO RESPONDE AOS QUESTIONAMENTOS

Com base nas afirmações de servidores, o Jornal Em Dia enviou alguns questionamentos ao Secretário de Educação, Adilson Condesso, por meio do e-mail da Secom - Secretaria de Comunicação Social, da Prefeitura.  

Confira as respostas enviadas pela Secretaria de Educação do Município.

Jornal Em Dia:  Há número suficiente de materiais para o protocolo, conforme foi anunciado? (totens de álcool em gel, tapetes sanitizantes, máscaras adequadas para o tamanho do rosto das crianças, sabonetes líquidos e toalhas de papel)

Secretaria de Educação: Sim.

Jornal Em Dia: Há casos confirmados de contaminação entre alunos e funcionários das escolas municipais? Qual foi a orientação passada pelas supervisoras?

Secretaria de Educação: Alunos, não. Funcionários, sim. Orientações específicas e individualizadas foram dadas pelos profissionais médicos. 

Jornal Em Dia: Qual o período autorizado para afastamento daqueles que testaram positivo?

Secretaria de Educação: O determinado, através de atestado, pelo profissional médico.

Jornal Em Dia:  Qual o procedimento para o afastamento de funcionários que estão no grupo de risco? Foi enviado algum documento oficial às escolas? 

Secretaria de Educação: Definido pelo RH da prefeitura.

Jornal Em Dia:  Qual a orientação dada aos pais que se aglomeram nos portões, sem máscara? Há uma fiscalização quanto a isso?

Secretaria de Educação: Os pais, como todos os demais cidadãos, são orientados diuturnamente por todas as mídias, públicas e privadas bem como pelo poder público, constantemente, para que não se aglomerem em qualquer ambiente, mesmo que ao ar livre.

Jornal Em Dia:  Os pais dos alunos são avisados quando algum funcionário testa positivo? 

Secretaria de Educação: Sim.

Jornal Em Dia:  As reuniões de pais estão sendo presenciais ou há a autorização para serem realizadas de forma remota?

Secretaria de Educação: Podem ser à distância ou presenciais, desde que tomadas as medidas sanitárias cabíveis, a critério da direção escolar.

Jornal Em Dia:  Antes da volta às aulas,os funcionários da rede foram testados para Covid-19? Com quanto tempo de antecedência em relação ao retorno das aulas?

Secretaria de Educação: Sim. Cronograma de atendimento formulado e realizado pela Secretaria da Saúde.

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