FOTO – CANTAREIRA: DIVULGAÇÃO/ CISTERNA: Dimp
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Sistema Cantareira segue em estado de alerta

Após dois meses, maior complexo da Sabesp continua operando com capacidade reduzida

Sistema Cantareira completou, nessa segunda-feira, 1º, dois meses em estado de alerta. No último domingo, 30, segundo dados da Sabesp, registrava operação com 33,6% de sua capacidade. Há um ano, o índice era de 51,6%.

O Cantareira é o maior dos sistemas administrados pela Sabesp e um dos maiores do mundo, destinado à captação e tratamento de água para a grande São Paulo, sendo utilizado para abastecer 8,8 milhões de clientes da companhia. Além de cidades metropolitanas do estado, abrange quatro cidades mineiras - Camanducaia, Extrema, Itapeva e Sapucaí-Mirim - e oito municípios paulistas: Bragança Paulista, Caieiras, Franco da Rocha, Joanópolis, Nazaré Paulista, Mairiporã, Piracaia e Vargem.

Em Bragança, uma grande represa é formada por dois rios: o Jaguari, que vem de Minas Gerais, e o Jacareí, que é formado em Joanópolis. A represa, que leva o nome dos rios, é interligada por um canal, formando assim a maior “caixa d’água” do estado – por isso, é chamada muitas vezes de “coração do Cantareira”. Ela está situada na região conhecida por Serrinha, bairro que abriga também, em parte de seu território, uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural), a fim de garantir a preservação dos mananciais e fragmentos da Mata Atlântica que estão localizados na área.

O problema é que, frequentemente, o volume de água desse complexo cai e preocupa a população por ele abastecida. Seja pela falta de chuvas e pelo clima árido, pelo desperdício ou pelo crescimento demográfico, as reservas vêm diminuindo e o sistema entrou em sistema de alerta no final do mês de julho deste ano - quando o reservatório chegou a 39,9% de sua capacidade. Na prática, isso representa uma redução da quantidade de água que a Sabesp pode retirar do manancial de 31 mil litros por segundo para 27 mil litros por segundo.

As novas regras da operação anticrise hídrica, publicada pela Agência Nacional de Água (ANA) em 2017, determinam que o sistema entre automaticamente na faixa 3, de estado de alerta, quando fica abaixo dos 40% de sua capacidade. Acima dos 40% até 59,9%, é chamado de estado de atenção. Para ser considerado normal, o reservatório precisa chegar a 60%. O volume de reserva técnica é, hoje, de 287,5 milhões de metros cúbicos e somente poderá ser utilizado em situações excepcionais, mediante expressa autorização dos órgãos gestores. (A situação dos mananciais pode ser acompanhada diariamente, a partir das 9h, pelo site: http://www2.sabesp.com.br/mananciais/DivulgacaoSiteSabesp.aspx.

Uma das formas mais eficazes de estabilizar esse cenário é a conscientização, visto que diversos hábitos domésticos promovem o desperdício de água, como tomar banhos muito demorados, deixar a torneira aberta ao escovar os dentes e lavar o carro ou a calçada com a mangueira – o que pode ocasionar notificações e multas no município por parte da Secretaria de Meio Ambiente, caso o fato seja constatado.

Só no estado de São Paulo, cerca de 32% da água distribuída é desperdiçada, de acordo com a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado (Arsesp), o que representa um total de quase 990 bilhões de litros perdidos.

Em Bragança, a Prefeitura, tendo em vista o consumo inconsciente e exagerado dos recursos hídricos e o período de escassez, vem desenvolvendo atividades com o intuito de conscientizar a população, estimulando a mudança de hábitos e contribuindo na economia de água.

Dentre as ações, está a instalação de cisternas em prédios públicos, principalmente nas escolas municipais, que otimizam a utilização dos recursos hídricos através da captação da água de chuva e seu reaproveitamento em diversos usos. A iniciativa está sendo desenvolvida pelas Secretarias Municipais de Meio Ambiente e de Educação, com o apoio do Centro de Educação Ambiental – Sala Verde Pindorama.

Na ação, professores e técnicos promovem a confecção da cisterna e sua instalação junto aos alunos da rede municipal, possibilitando que eles aprendam e possam multiplicar as informações sobre os benefícios da utilização do sistema e a facilidade para sua instalação. Neste ciclo, dez escolas serão beneficiadas com kits e capacitação para implantação do mecanismo.

Estima-se que, com a implantação da cisterna, haja uma redução de, pelo menos, 50% no consumo médio de água utilizada externamente para irrigação de jardins e limpeza da parte externa das escolas.

Vale ressaltar que no ano de 2014, o Sistema Cantareira sofreu uma de suas piores crises, atingindo cerca de 8,1%  de sua capacidade - o menor índice já registrado em São Paulo.

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