Não se enganem, meus caros. As estradas já estavam fechadas desde 2019. As estradas da tolerância, do diálogo, do respeito, da empatia. O sinal, desde então, sempre esteve fechado para nós, que somos jovens e velhos, pretos e brancos, pobres, periféricos, mulheres, homossexuais, crianças, desejosos por justiça social e alguma humanidade.
Desde essa mesma fatídica época, jogaram terra sobre nossos sonhos, pisaram com seus coturnos nossas esperanças, mas porque somos semente, munimo-nos da força que só os corajosos podem ter, e dando-nos as mãos, cavamos, cavamos sem cessar, abrindo com paciência e amor, o caminho que nos traria, a todos os brasileiros, de volta à vida.
Confesso que ainda resta algum resquício de terra debaixo de nossas unhas, talvez por esse motivo nos chamem de tantos nomes feios, mas o fato de termos conseguido sobreviver a toda essa barbárie vale a pena a luta.
Atravancar caminhos parece mesmo ser uma especialidade de alguns, haja vista a tentativa explícita de impedir nossos irmãos nordestinos de votar no último domingo. Ah... Apesar do absurdo, isso também não me surpreende. Há tempos é que eles andam por aqui atravancando todo e qualquer caminho para o progresso, para a liberdade, desde quando escancararam as portas para o fascismo latente.
Quando o ódio venceu, nos demos as mãos. Não, não ousamos questionar a vontade majoritária do povo, ainda que essa fosse ao encontro a tudo o que abominávamos. Não, não esperneamos, feito criança mimada que perde o jogo. Reconhecemos a supremacia da democracia e seus valores inegociáveis.
Não fechamos estradas, abrimos novos caminhos. Com terra debaixo das unhas, escavamos novamente o caminho que nos devolveria a todos, a esperança de dias menos odiosos e justos.
Que assim seja, é tudo quanto desejo, que o estado de direito, conquistado com tanta dor, seja sempre preservado. Que o “perdedor” reconheça com hombridade sua derrota. Que o vencedor honre a confiança da nação que o escolheu.
Que venham dias menos odiosos, mais leves, mais justos, finalmente!
E não se enganem, a luta continua, não se pode jamais baixar a guarda. “É preciso estar atento e forte”. E estamos, dos sulcos que abrimos nessa terra que tanto amamos, renasceu uma árvore forte e frondosa, sua seiva avermelhada, sangue dos irmãos que perdemos no caminho, seguirá nutrindo-a, porque a esperança não morre jamais.
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