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SUB-VERSÃO

SOBRE A ESCOLA E A VIDA

(Incentivando voos)

São apenas trinta ou quarenta minutos que nos separam de nosso destino final. Vamos até a cidade vizinha. Mas a animação que toma conta do transporte escolar é digna de uma viagem internacional.

A energia é sentida no ar, um misto de ansiedade, empolgação e muita, muita alegria. Deixar a escola uma vez ou outra é um exercício absolutamente necessário, e quando deixamos para trás seus muros e trancas, suas grades e portões o próprio mundo parece expandir-se à nossa frente, aberto a inúmeras possibilidades das quais parece mesmo não conseguimos desfrutar dentro da escola.

O ônibus ainda nem dobrou a esquina e já se ouvem pacotinhos sendo abertos, e a oferta generosa: - Quer professora?

- Não, meu bem, obrigada!

Os sons se multiplicam com o transcorrer da viagem. Há, além dos pacotes sendo abertos, muita conversa, muita música e evidente animação. A mesma animação que deve mover aquele que ousa cruzar as barreiras da escola para adentrar o mundo.

Mas a escola não é mesmo isso, apenas uma passagem para o mundo? Ao menos, deveria ser.

Sou uma professora meio mãe, e daquelas que, apesar de todo amor e a dependência que este pode causar, cria suas crias para o mundo. Minha maior realização é apresentar o mundo aos meus alunos, seja ele letrado ou não. Prepará-los, se é que se pode usar esse verbo, para fazer parte do mundo, desse mundo em constante mudança e que lhes exigirá sobretudo posicionamento. Quero vê-los tornando-se sujeitos-históricos desse tempo.

Então, a visita ao Jornal Em Dia Bragança é sim um acontecimento e um motivo de celebração, e isso ficou muito claro quando da reação deles, hipnotizados por cada novidade que se apresentava diante de seus olhinhos curiosos. Tanto aprendizado, desde a redação até as oficinas, onde as máquinas trabalhavam no mesmo compasso acelerado do coração dos meus pequenos. Eles acompanhando atentamente cada movimento, eles perguntando, questionando... Tem como deixar uma professora mais feliz?

- É aqui que você trabalha, professora?

Parece haver um certo encanto no fato de se ter uma professora que escreve para o jornal. Mais encantador que isso só mesmo o fato de me ser permitido fazer o que mais amo nesse veículo tão importante de nossa cidade.

E ao final da visita, a pose para a foto em frente ao Jornal e a certeza de se reconhecer importante, digno de matéria! Agora, não apenas a professora, mas eles também sairão no jornal. Afinal, somos todos iguais, igualmente importantes.

Depois, comer (mais um pouco) e brincar, porque é tão importante quanto respirar e brincando também se aprende. O Jardim Público nunca antes recebera visitantes tão empolgados. O ar estava envolto em uma atmosfera lúdica e feliz. Assim deviam ser também nossas escolas. Assim devia ser sempre a vida.

Minha gratidão ao Jornal Em Dia Bragança e a todos os seus colaboradores por me proporcionarem e aos meus alunos mais esse momento tão incrível!

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