Apesar de apaixonada pelas letras e pela liberdade que elas me proporcionam, confesso, desde pequenininha sempre gostei de futebol. Dona de uma personalidade forte, dizem as más e boas línguas, fui uma menina geniosa, que chegou a pedir um “shorts de jogador” de presente para mãe. Agora, essa coisa de personalidade forte, de fato, não existe. Personalidades são como vinho, alguns mais encorpados, outros nem tanto mas todos e cada um bons ao seu modo; tudo depende do acompanhamento.
Cheguei a realizar uma tentativa, obviamente frustrada, de descer as escadas do sobrado onde morava quando criança, pasmem, com uma bola de futebol entre as pernas. Resultado: constatei que mesmo os jogadores amadores sofrem contusões e que o fato de meu pai ter deixado a escada por algum tempo sem revestimento tornava a contusão um pouco mais dolorida.
E eu aprendi que a dor também ensina. E que professora exímia essa tal D. Dor...
Mas, voltando ao futebol... que Copa maravilhosa! E o calendário escolar me permitindo assistir a todos os jogos... E que jogos!
Se você espera que eu teça críticas a isso ou àquilo, esqueça. Eu curti muito a Copa. Não, não estou sugerindo a inexistência de problemas, nem tão pouco atribuindo a esse evento esportivo a responsabilidade por aniquilá-los de vez da nossa história. Não, eu só estou me permitindo reconhecer que espetáculo de Copa foi esse, e isso parece pecado no Brasil, ultimamente.
Então, permito-me utilizar-me da liberdade poética que me cabe e tratar desse assunto com a mesma seriedade de quando era apenas uma menina querendo descer as escadas com uma bola de futebol entre as pernas.
Afinal, somos ainda todos meninos ligeiramente apaixonados pela arte do gol, da inteligência do passe, da categoria do drible, da força sobrenatural que dirige a bola aos pés do craque, das pernas tortas, das pedaladas todas...
Ainda somos meninos que sonham e ponto final. Seja com a pátria sem ou com chuteiras, com a realidade que se nos apresenta dentro ou fora dos gramados, e pela qual trabalhamos diariamente, construindo com suor e maestria a pátria que ousamos chamar Brasil.
Somos todos apreciadores do futebol bem jogado, daí a raiva e insatisfação resultantes do desempenho de nossa seleção. Mas, ah, os deuses do futebol nos irão perdoar.
Eu não disse no início que a dor é excelente professora?
E, por fim, sobre a merecida e louvável vitória alemã, Nélson Rodrigues parecia já ter a receita tempos atrás...
“O futebol não vive de iluminações pessoais. Um time tem que ser, como tal, um conjunto harmônico e potente.”
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