Por conta da passagem da Festa de São João no último dia 24, trago um dos caldos das festas juninas que fizemos por uma década consecutiva no nosso Sítio São João Batista. No ano de 2019, completamos dez anos de festa.
A primeira festa foi no ano de 2010, em cumprimento a uma promessa que fiz pelo sucesso de uma cirurgia de coluna a que meu marido, Basílio, se submeteu em 2009 (a quarta), em que corria o risco de não andar. Esta cirurgia, feita dez dias depois da terceira que deu errado, foi marcada no dia de São João e, sendo o santo o patrono do nosso sítio e da capela que lá construímos, fiz a promessa de realizar uma festa caso conseguisse a graça.
Com a graça alcançada, colocar em prática a festa foi um trabalho de mutirão familiar: meu irmão, minha irmã, cunhado e sobrinha, primas e os jovens de casa, ainda adolescentes. Fizemos caldos, lanche de mortadela, o “buraco quente” (carne moída com molho, no pão), quentão, vinho quente, pipocas e o bolo de São João recheado de doce de leite e coberto com suspiro; cada um ajudando tanto no preparo como no dia de servir os convidados
A cada ano, mais pessoas participavam para conhecer as tradições folclóricas e culturais das festas juninas e, se quisessem, participar das celebrações religiosas e dos diferentes rituais preparados para agradecer as graças de São João. Chegamos a receber mais de 200 pessoas na popular “boca livre” por ano nas nossas festas, onde comiam, bebiam, se divertiam e levavam sempre uma lembrancinha feita uma a uma, para lembrar de São João.
Nestes dois últimos anos, não deixamos passar em branco. Reunimos só a família para rezar o terço na capela e encerrar o encontro com uma sopa creme de batatas bem quentinha para aquecer os corações e o corpo. Olha aí a receita:

- 1 quilo de batatas descascadas cortadas ao meio
- 1 ou 2 inhames (ajuda a dar cremosidade – opcional)
- 1 cebola grande cortada em quatro partes
- 6 dentes de alho
- 3 cubos de caldo de legumes
- 2 colheres (sopa) de azeite
Numa panela de pressão, coloque o azeite e frite a cebola e os alhos. Logo depois, junte as batatas em pedaços, o inhame, os cubos de caldo de legumes e deixe fritar um pouco.
Junte 2 litros de água para cobrir as batatas, mexa até desprenderem as crostas do fundo da panela. Coloque a tampa e, quando der pressão, cozinhe cerca de 20 minutos e desligue.
Enquanto isso, noutra panela grande, para colocar a sopa, junte já picadinhos:
- 2 paios sem pele cortado miúdo
- 1 linguiça portuguesa sem pele, também cortada miudinha
- 2 colheres (sopa) de óleo
Frite bem até dourar, desligue e reserve.
Depois, vá retirando as batatas da panela e batendo em porções no liquidificador e juntando nas linguiças. Depois de tudo batido, ligue o fogão, esquente o caldo até ele soltar os sabores grudados no fundo pela fritura. Acerte o sal e sirva com salsinha picadinha, queijo ralado ou pão, se desejar incrementar.

Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Paulista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
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