Eu ando odiando o verbo super em alta “reinventar-se”, principalmente porque ele vem sendo usado quase sempre quando alguém se refere aos professores e seu trabalho em meio à pandemia.
Sabem, nós, professores não estamos nos reinventando. Na verdade, só estamos fazendo em uma escala mais desafiadora, por conta do distanciamento, o que sempre fazemos. Afinal, o professor convicto de sua vocação sempre adapta-se à realidade de seus alunos. Se eles não entendem da forma como explicou, ele explica de outro jeito e quantas vezes forem necessárias. Então, não digam por aí que estamos nos reinventando. De fato, já o fazemos diariamente nas salas de aula desse país, cada uma com suas peculiaridades e desafios. Ser professor é isso, um desafio constante.
E vocês acaso pensam que o simples fato de gravar um vídeo seria suficiente para nos intimidar? Ah... vocês não conhecem mesmo os professores desse país. Por nossos alunos, seu aprendizado e desenvolvimento enquanto pessoas, somos capazes de muito mais do que simplesmente nos filmar.
E apesar disso tudo, eu andava muito frustrada, pensativa se estaria, como gostam de dizer os estudiosos da educação, atingindo meus alunos com as apostilas e vídeos explicativos que tenho feito. Não sei se vocês conseguem entender o tamanho da frustração de uma professora que ama o que faz e agora se vê diante do incerto, da distância...
Enfim, estava mesmo triste. Mas minha tristeza foi aplacada pela doçura. E a doçura veio dessa vez através de uma mensagem de WhatsApp. A doçura, o respeito e o carinho vieram através de uma menina incrível, a quem dedico esse texto, e em nome de quem agradeço a todos os meus alunos pela paciência, compreensão e dedicação com que têm lidado com esse período absolutamente insano.
Nayara, naquela quinta-feira fria e triste para mim, sua mensagem tão generosa e cheia de carinho foi capaz de modificar meu dia e restabelecer em mim a confiança no trabalho que tenho realizado e em vocês, meus queridos alunos, a quem todo o meu esforço é dedicado.
Sou imensamente grata a você por esse gesto, que aliás, não é o primeiro, e a Deus pela oportunidade de ser professora, apesar e em todas as situações.
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