Há duas semanas, tenho encontrado nas bancas de hortifruti no supermercado tomates totalmente verdes. Ao vê-los, me veio a vontade de fazer uma receita que aprendi ano passado, por meio de um livro de receitas bem diferente que ganhei do meu filho Basílio (e que eu gostaria de ter tido a ideia de ter lançado, pois é a “minha cara”). Escrita pela jornalista Denise Godinho, com o título “Capitu vem para jantar – a delícia de cozinhar as receitas da literatura” (2016), a obra, com pouco mais de 200 páginas, nos faz viajar por obras da literatura brasileira para best sellers de diversos autores estrangeiros, nos quais sempre existe uma comida que permeia o enredo de cada trama. Para quem, como eu, gosta de ler e de cozinhar, esta é uma ótima indicação de leitura.
E nesta semana não resisti: trouxe meia dúzia de tomates totalmente verdes para fazer os tomates verdes fritos que dão título ao livro “Tomates Verdes Fritos e o Café da Parada do Apito”, de Fannie Flagg (1987), que também adaptou o texto para o cinema, sendo o filme lançado em 1991. “Tomates verdes fritos combina humor a uma narrativa comovente, onde Fannie Flagg conta a história do Café da Parada do Apito, uma cafeteria instalada na beira de uma ferrovia em um vilarejo isolado do Alabama – um dos estados mais pobres e repressivos dos Estados Unidos, marcado por sua rígida observação dos papéis sociais e sexuais e por uma inexorável hierarquia racial. Inaugurado pelo singular casal formado por Ruth – doce e reservada – e Idgie – ousada e libertária –, o Café torna-se ponto de encontro para os tipos humanos mais diversos e improváveis. Há também na trama outras duas mulheres que fazem o enredo dos capítulos curtos alternando épocas e sobrepondo histórias”.
Tive oportunidade de assistir ao filme e, desde aquela época, me intrigava como eram feitos tomates verdes fritos (o que o longa não explica). Depois de praticamente 30 anos, em 2024, no livro da Denise Godinho, há o passo a passo, e é o que trago para vocês: um saboroso e diferente petisco ou até uma entrada de refeição supersimples de fazer, desde que você tenha os tomates bem verdes para que não amoleçam ou cozinhem totalmente ao fritá-los.
Para poder fotografar a tempo de enviar para a redação, fiz apenas com duas unidades, rendendo cada tomate 4 fatias grossas de cerca de 1 centímetro de espessura cada.
É um preparo que se faz na hora de servir, pois, deixando tudo ajeitado, depois de empanadas, as fatias devem ser fritas no óleo quente e logo serem servidas. No livro, segundo a autora, servia-se com fartas fatias de bacon, mas elas são totalmente desnecessárias, pois a “estrela” aqui são os tomates.
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- 3 tomates verdes cortados em fatias de 1 cm cada
- Sal e pimenta do reino (usei páprica defumada) a gosto
- 1 xícara (chá) de óleo
- 1 ovo inteiro batido ligeiramente
- Meia xícara (chá) de leite de vaca
- 1 xícara (chá) de fubá
- 50 g de queijo ralado (meio pacotinho) ou mais se gostar
Tempere as rodelas de tomate com sal e pimenta ou páprica. Coloque o óleo na frigideira e comece aquecer. Enquanto isso, já deve estar preparada a mistura de fubá com o queijo ralado num pirex e, no outro, os ovos batidos com o leite.
Agora, é só ir empanando cada fatia de tomate passando no ovo e depois firmemente na mistura do fubá para grudar bem. Coloquei de duas em duas fatias para fritar, deixando cerca de um minuto de cada lado e depois tirando com a escumadeira. Sirva ainda quente, que são mais saborosos.

Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Pau- lista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
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