Chamei esta torta de rústica por ter, além de ingredientes simples, nenhuma adição de leite condensado – coisa rara nas receitas atualmente.
Esta é outra receita antiga, mais antiga que o sequilho da semana anterior, visto que é a minha primeira lembrança afetiva de criança, da minha mãe fazendo uma sobremesa. Era sempre ela quem fazia os docinhos finos das festas, do brigadeiro ao olho de sogra. Dos doces inteiros, me lembro também do bolo formigueiro, que ela chamava de bolo granulado, do bolo de chocolate com café e do bolo de nozes no Natal.
O ritual de fazer a massa, a assadeira redonda de alumínio daquelas de pizza grande, da massa amanteigada sendo esticada com a palma das mãos, sendo furada com o garfo antes de assar, e o cozimento das lâminas de maçã até que ficassem translúcidas. E ao preparar, o aroma da fruta cozida me remeteu à criança que ajudava a forrar com as maçãs toda extensão da massa para, depois, esparramar por cima delas a calda brilhante que dava à torta o úmido na medida certa. Sugiro que façam, pois, além de ser uma sobremesa de presença, é rápida, pois, em menos de uma hora, você tem a torta prontinha para gelar e depois saborear.
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- 3 xícaras (chá) de farinha de trigo
- 1 pitada de sal
- 1 xícara (chá) de açúcar
- 1 colher (café) de fermento em pó
- 2 ovos inteiros
- 100 gramas de margarina (ou 4 colheres (sopa) generosas)
- 3 colheres (sopa) de leite
Junte com colher os ingredientes e depois com a ponta dos dedos até formar uma massa homogênea e lisa. Sem precisar untar a assadeira, estique usando as mãos umedecidas com água a massa na assadeira de 37x25cm. Com um garfo, faça furos por toda extensão da massa para que ela não estufe e a superfície fique toda torta, e leve assar em forno pré-aquecido a 200ºC.
- Numa panela, coloque para ferver:
- 2 xícaras (chá) de água
- 1 xícara (chá) rasa de açúcar
Ao começar ferver, junte aos poucos para cozinhar nessa água (que se transformará em calda ao final):
- 5 maçãs grandes sem casca, sem as sementes, cortadas em lâminas finas de meia lua
Mexa de vez em quando até que cozinhem, ficando translúcidas. Retire-as com escumadeira e espere esfriar. Repita isso com todas as maçãs. Se perceber que a calda está acabando, pode aumentar com mais água e açúcar, pois deveremos usá-la na finalização.
Depois da massa assada e morna, disponha sobre ela todas as maçãs cozidas, de modo que cubra toda a extensão de maneira generosa. Se achar pouco, cozinhe mais maçãs na mesma calda.
Espere esfriar um pouco a calda e junte nela a mistura de:
- 1 colher (sopa) de amido de milho dissolvido em meio copo de água
Volte a calda ao fogo até ferver, mexendo sempre para engrossar e ficar transparente. Regue todas as maçãs com a calda, espere esfriar antes de colocar na geladeira.
Até nosso próximo encontro!
Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.

Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Pau- lista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
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