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Crônicas de um Sol Nascente

Um sol nascente pela Ucrânia

Enquanto escrevo esta crônica, vejo nos noticiários que mais de três milhões de ucranianos já tiveram de partir de sua pátria para escapar do genocídio perpetrado pelos exércitos de Putin (recuso-me a dizer que tais crimes são cometidos pela Rússia, uma vez que a linda terra de Dostoiévski também tem sido, ao longo da história, vítima dos desmandos e mentiras de seus governantes). Mais de três milhões de refugiados, repito. Famílias inteiras forçadas a deixar uma vida para trás enquanto os seus lares e sonhos eram bombardeados. 

Sim, há guerras em outras partes do planeta, sabemos. Mas esse é um argumento pífio de quem acha que a solidariedade deve ser seletiva. Quando, na verdade, solidariedade não espera nem escolhe. Solidariedade é resposta imediata. De modo que, se vemos agora que uma nação clama por nossa ajuda, é mesquinho ficar pensando se ela merece mais ou menos que outras. 

Por isso, em vez de discursos ideológicos, que tal uma pequena ação para amenizar o sofrimento do povo ucraniano? Ação como a praticada por um estudante universitário japonês, de nome Yugo Azuma. Nesta semana, soube por meio de minha esposa a respeito da bela atitude desse jovem, que mora na Polônia com a família: cônjuge, irlandesa, e um filhinho de quatro anos de idade.

Yugo está abrindo as portas de sua pequena casa para abrigar seis refugiados ucranianos, além de ir todos os dias à estação de trem para ajudar outras famílias. E, por meio de doações de pessoas que tomaram conhecimento de sua luta, ele está comprando alimentos, roupas, brinquedos e outros itens para dar um pouco mais de alegria e esperança ao povo ucraniano. 

Quando escutei a respeito da bela ação de Yugo, não pensei duas vezes: e, em nome de nosso filhinho, fizemos também uma doação. Agora, sei que muitos devem estar pensando que é um risco; que o melhor seria doar para instituições e não para indivíduos. E não culpo quem pensa dessa forma: pois, infelizmente, há sempre os enganadores nesses tristes momentos. Porém, um japonês dificilmente age com dolo quando o assunto é solidariedade e cooperação internacional. E Yugo, vale frisar, tem postado fotos de cada produto que adquire com as doações recebidas: o bem, nesse caso, é evidente e comprovado. 

Confio, sim, e vou além: peço que conheçam e divulguem a página de Yugo Azuma no Facebook: quem sabe, assim, mais pessoas poderão também ajudar de alguma forma para que o povo ucraniano, principalmente as crianças, voltem a sorrir. 

Para conhecer e ajudar o maravilhoso trabalho de Yugo Azuma, deixo aqui a página de seu Facebook:
https://www.facebook.com/yugo.azuma

Pela Ucrânia. Pela vida.

***
EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quatrocentos concursos literários no Brasil, na Espanha e em Portugal, é autor de dez livros, sendo o mais recente Contos de um Brasil Esquecido, lançado pela Editora Folheando (Pará) e finalista do Prêmio Uirapuru. É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).

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