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Editorial

Uma tragédia anunciada: será você o responsável?

Em tempos de pandemia, o que mais chama atenção em Bragança Paulista é o número de pessoas circulando pelas ruas, deslocando-se a torto e direito, não por necessidade, porque executam serviços essenciais, porque precisam cuidar de alguém com quem não residem, mas, sim, porque não estão acreditando no perigo que estamos todos correndo, não estão dimensionando o tamanho da tempestade que se aproxima, porque não estão sentindo na pele a dor de quem não tem ao menos a possibilidade de se despedir olhando uma vez mais o rosto de quem tanto ama, a angústia de nem ao menos conseguir fazer um funeral digno a sua mãe, seu pai, sua esposa, seus irmãos, seus filhos, o drama de nem mesmo saber se é o seu ente querido que está dentro daquele caixão lacrado.

A título de exemplo a situação da família de Santo André, que, na quarta-feira, teve de enterrar, nessas condições, às pressas, sem sequer saber como estava e se estava dentro do caixão a matriarca da família que foi encerrada na urna funerária, vedada em sacos plásticos, por agentes funerários, seguindo o protocolo dos falecidos por Covid-19, recebendo mais tarde a notícia de que tudo não passou de um engano, uma vez que o corpo de Dona Amir Martins da Silva, de 92 anos, continuava no necrotério do hospital porque havia sido trocado. Ou seja, não bastasse a dor até ali enfrentada, a família passaria novamente por todo o sofrimento de um enterro.

Em meio a toda essa macabra narrativa, que muito ajudaria se não passasse de um enredo de filme de terror, ainda vemos muita gente fazendo piadinhas, churrascos em família, conclamando as pessoas a voltarem à vida normal, abrir comércios, voltar às aulas, “abandonar o conceito de terra arrasada”, gente agredindo fisicamente governador, defendendo político, politizando a tragédia anunciada.

Alguns ainda reclamam que a imprensa quer “tocar o terror”, quer derrubar o presidente, não mostra as notícias boas, o número de pessoas que estão sendo curadas. Meu Deus! O número de quem se cura não é tão importante para evitar o contágio, fortalecer o distanciamento social, conscientizar os mais incautos e céticos, quanto o número estarrecedor de quem tem a vida ceifada. Será tão difícil entender isso? Se mostrando o quão cruel está sendo esta pandemia as pessoas estão brincando, chefes de Estado a estão subestimando, imagine se a imprensa focar nos curados.

Já é do conhecimento de todos, cientificamente apresentado, que a doença é fatal para cerca de 3% do planeta, mas não por isso deva ser considerada “uma gripezinha”, “uma chuva”, “uma histeria”. Nem por isso, devemos deixar de mostrar e enfatizar que milhares de pessoas estão morrendo e não porque “era a hora delas, fazer o quê? “. Não porque são velhas e já viveram o suficiente, não porque são portadoras de doenças crônicas, cânceres. Não! Estão morrendo por falta de respiradores. Estão morrendo por falta de vagas em leitos hospitalares. Estão morrendo porque todas estão se contagiando ao mesmo tempo por culpa de indivíduos irresponsáveis que não precisam sair de casa e se gabam de o fazer porque não têm o mínimo de consideração e respeito por seu semelhante.

De acordo com informações da secretária de Sáude, Marina Oliveira, Bragança Paulista possui 65 leitos de UTI, sendo 29 reservados ao SUS. VINTE E NOVE! Na manhã de quarta-feira, ao ser indagada sobre quantos leitos de UTI estavam liberados naquela data, respondeu que, na Santa Casa, dois, no Hospital Bragantino, naquele dia, para SUS nenhum,  não sabendo informar quantos havia no Husf. Somente na segunda-feira, 6, 10 novos casos suspeitos foram notificados, segundo gráfico da própria secretaria. Se somente esses 10 casos se complicassem na quarta e só restassem os dois leitos da Santa Casa, oito certamente morreriam. Vale destacar que temos mais de 50 casos sendo investigados e 33 confirmados. E que o total de leitos não é destinado apenas a pacientes de Covid. Sim, as pessoas continuam enfartando, se acidentando, sofrendo AVC (acidente vascular cerebral).

Se fileiras de caixões na Itália, necrotérios em estações de esqui na Espanha, cadáveres abandonados nas ruas do Equador, milhares de mortos por dia na nação mais poderosa do mundo, centenas de covas abertas nos cemitérios de São Paulo, trilhões de dólares sendo investidos para segurar a economia e MANTER AS PESSOAS EM CASA,  mais de 1,5 milhão de pessoas infectadas,  milhares de profissionais da saúde afastados, doentes, centenas deles já mortos, veterinários sendo convocados, enormes hospitais de campanha às pressas sendo montados, Bragança Paulista liderando o ranking de cidades da região em número de infectados  não servirem para manter você em casa é lamentável dizer, mas você só vai entender quando precisar ser internado. O que é muito terrível, até mesmo porque você não estará sozinho, levará muitos consigo.

Se não ajuda, não atrapalhe. Se não executa serviços essenciais, FIQUE EM CASA!

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