“E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus. E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe.”
Mateus 18:3-5
“Vem”, dizia a menininha de lindos cachinhos e laço cor-de-rosa no cabelo, dando-me a mãozinha. E como é que esse recusa um convite desses, feito assim com tanta inocência e desprendimento? Eu fui, permiti-me ser conduzida por aquela doce menininha. E enquanto caminhava, seguindo seus passos miúdos, permiti-me também caminhar miúdo, sem pressa, como costumava ser quando era eu uma menininha. Caminhar em confiança, sem soltar a mão, mesmo sem saber ao certo para onde se está sendo guiado.
Esse convite assim, tão inesperadamente doce modificou por completo aquela minha tarde. Era para ser apenas um corte de cabelo, dos muitos que faço para manter o comprimento curtinho, mas naquela tarde, algo extraordinário aconteceu.
E eu que nunca acreditei em coincidências, sei que esse nosso encontro estava marcado há séculos. O meu encontro com aquela menininha, o meu encontro com a menina que um dia fui e meu reencontro com Ele. Sim, era Ele quem me conduzia, segurando em minha mão, enquanto caminhávamos. Aquela linda menininha era um arauto seu, enviada para relembrar-me da necessidade de confiar novamente.
Da necessidade de voltar a ser como criança.
Por alguns minutos concentrei-me nessa tarefa, voltei a ser a Aninha de outrora, a menina de olhos grandes e doces, travessa e absolutamente confiante acerca do cuidado dEle. Não havia mais a ansiedade que vez por outra me acomete, em seu lugar, renascera a confiança plena.
Posso não saber por quais caminhos Ele me conduzirá, mas estou certa de que o fará com a doçura daquela menininha, e que nunca, nunca, soltará de minha mão.
Naquela tarde, Ele me chamou para uma conversa sincera, não como um pai severo e sisudo, mas como um pai amoroso, que andava com saudades de sua pequena.
E como sou grata por esse nosso reencontro! Como sou grata pelas pessoas que Ele mesmo me apresenta e usa como verdadeiros presentes em minha vida.
E, feito criança que sou, prometo de dedinho voltar para muitas conversas mais. Prometo ousar confiar cegamente como fazia antes!
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