
Tenho pra mim que o Altíssimo as criou com o propósito de nos ensinar acerca da singeleza. É, talvez seja esse o adjetivo mais adequado em se tratando de violetas. Violetas são singelas. Singelas e lindas. É como se toda a beleza do mundo se concentrasse no ínfimo espaço de suas pétalas delicadas e coloridas tão sabiamente pelo Criador.
E como me encantam, principalmente, seus tons roxos, daqueles de doer os olhos, vivos, marcantes, arrebatadores, e tudo isso numa plantinha tão pequena e tão simples. Amo como suas cores se contrastam, o roxo das pétalas com o verde duro das folhas, a textura das folhas que me remete à infância e aos trabalhos com papel camurça. Dá arrepios.
Minha predileção pela cor roxa, ou violeta, como prefira chamar, vem desde a infância e não sei explicar o porquê, talvez seja por habituar-me desde cedo a vê-la em meu corpo depois de cada esbarrãozinho, tão branca que sou. Há quem diga que essa cor está ligada à espiritualidade, inclusive. Eu prefiro crer que esteja mesmo, mas de uma maneira muitíssimo mais simples que toda suposição exotérica.
Violetas são lindas e nos ensinam muito, e digo mais, ensinam muito às mulheres. Sim, às mulheres tão barbaramente banalizadas hoje em dia, o que chega a ser uma contradição, já que o que se prega é a igualdade de gêneros e a evolução feminina, etc. e tal.
Mulheres deviam ser singelas como as violetas, discretas, sem por isso se tornarem feias ou menos atraentes. Comedidas e, ao mesmo tempo, fortes, como só as violetas sabem ser. E capazes de multiplicar-se e aos seus sonhos, tal qual as violetas.
Você já tentou retirar uma de suas folhinhas, uma apenas e replantar num outro vaso? O que se vê depois de alguns dias é o milagre da multiplicação, porque aquela folhinha mísera e frágil faz nascer um novo, lindo e cheio vaso de violetas. Elas se reinventam. Mulheres também deviam reinventar-se.
Aliás, algumas já o fazem, são mulheres-violeta, a quem o Criador concedeu a doçura de serem quem são, sem que se percam em meio a vaidades bobas e efêmeras.
Ah, as violetas...
É como se, ainda que em silêncio, elas nos dissessem: Olhe ao seu redor, bote reparo nas coisas mais insignificantes... Os homens, apressados em ganhar dinheiro, já não têm tempo para elas. Mas você, olhe, repare bem... Há tanta beleza escondida nesse mundo. Tanta beleza que nosso egoísmo não nos permite enxergar. Eu sou um recado do Eterno para você.
Ouse ler-me!
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