Poucos brasileiros entenderam o que aconteceu em setembro de 2008, aliás, apenas os altos políticos, economistas e profissionais financeiros sabiam o que ocorria por detrás das cortinas. Manchetes de bancos entrando em falência, indústrias demitindo funcionários e a expressão “essa crise será apenas uma ‘marolinha’ no Brasil” de Luiz Inácio Lula da Silva, se tornaram um quebra-cabeça na mente da população. Agora, em janeiro de 2015, vamos desmitificar a crise de 2008 e ver suas consequências.
A crise iniciou-se nos Estados Unidos em 2006. Os bancos norte-americanos estavam num momento de grandes sobras financeiras e fomentaram a população a realizar hipotecas de alto risco, isto é, comprar casas por meio de financiamento, onde a garantia de risco é o próprio imóvel. Para aumentar o risco de crise, os bancos fizeram essas hipotecas para imigrantes legais e ilegais, desempregados e pessoas de baixa renda. Isso é Subprime, clientes que se enquadravam nestas condições eram chamadas de NINJA - No Income, No Job, No Assets, em português Sem renda, Sem emprego, Sem patrimônio. Estava acesa a bomba.
Em setembro de 2008, o pavio acabou. Os clientes NINJA não tinham mais como pagar a hipoteca das casas, devolvendo-as para os bancos. Como o esquema de Subprime ainda vigorava, estes clientes foram a outros bancos hipotecar outra residência, até derrubar todo o sistema nacional de habitação dos Estados Unidos. Os bancos, por sua vez, ficaram cheios de casas em seu nome, e zerados em recursos financeiros. Não havia mais aqueles bilhões de dólares para financiar a indústria automobilística, têxtil, tecnológica e etc. Indústrias demitem funcionários por falta de incentivo e mais inadimplência é gerada em nível nacional.
A crise era iminente no Brasil, país que tem como base sólida a exportação de produtos, e se via receoso quanto a investimentos. A Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA chega a cair 10,16% (29/09/2008) sendo o pregão interrompido por risco de quebra nas operações nacionais. Porém, a economia nacional conseguiu segurar a inflação e as taxas de juros em níveis moderados, não por muito tempo. Hoje, ainda existe uma sombra da crise de 2008, e a BOVESPA não se recuperou por completo dessa ferida causada por mais de 10% em quedas no índice. A exportação caminha a passos curtos e alta inflação, dólar e queda no turismo indicam o quão grave foi o Subprime.
Que sirva de lição o mau exemplo empregado pelos bancos americanos. O principal banco de financiamentos do Brasil tem sido cuidadoso em realizar investimentos imobiliários em prol da população, talvez cauteloso até demais, mas como “o seguro morreu de velho”, não me atrevo a criticar, sugerir ou reclamar. [JE SUIS CHARLIE]
Renan Williams Moore Brito é Bacharel em Ciências Contábeis com especialização em Gestão de Custos pela PUC-RS. (renanwmoore@outlook.com)
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