A operação Lava Jato, vendida como cruzada moral contra a corrupção, revelou-se, à luz das investigações da Agência Pública, um sofisticado projeto de desmonte nacional com digitais estrangeiras. O envolvimento direto de agentes do FBI em interrogatórios realizados dentro do Ministério Público Federal, sem transparência institucional, levanta uma pergunta incômoda: a quem serviu, de fato, a Lava Jato?
O que se viu não foi o saneamento das estruturas, mas a implosão das maiores empresas brasileiras – Petrobras, Odebrecht, OAS, entre outras – que, ao invés de serem preservadas e seus dirigentes punidos, foram desmanteladas. O resultado foi um apagamento brutal da engenharia nacional, da capacidade produtiva e da soberania econômica. O país perdeu tecnologia, empregos, cadeias produtivas e autonomia. O capital estrangeiro, por sua vez, avançou sobre os escombros com apetite.
A Lava Jato não apenas destruiu empresas, mas também construiu carreiras. Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, protagonistas da operação, tentaram criar um fundo bilionário com recursos bloqueados – um mecanismo de gestão privada de dinheiro público, sem precedentes. A proposta, que causou indignação jurídica, revelava o desejo de transformar a operação em instrumento de poder financeiro e político. Ambos, posteriormente, lançaram-se em campanhas eleitorais, surfando no discurso anticorrupção que eles mesmos haviam fabricado como narrativa.
A influência americana não é teoria conspiratória – é fato documentado. A colaboração informal com o FBI, sem autorização do Ministério da Justiça, violou protocolos diplomáticos e jurídicos. O modelo de lawfare – uso da lei como arma política – foi importado e aplicado com precisão cirúrgica. O alvo não era apenas a corrupção, mas a capacidade do Brasil de se manter como potência regional. O desmonte foi estratégico, e a soberania, o preço.
A Lava Jato, sob o verniz da legalidade, institucionalizou a impunidade seletiva. Enquanto os delatores eram premiados e os ativos nacionais liquidados, os operadores da operação acumulavam capital político e prestígio internacional. O país, por sua vez, mergulhava em recessão, desemprego e desindustrialização.
Hoje, com os dados revelados, é possível afirmar: a Lava Jato não foi apenas uma operação jurídica – foi uma operação geopolítica. E o Brasil, ao invés de se fortalecer, foi enfraquecido. A luta contra a corrupção foi sequestrada por interesses que não tinham como objetivo a justiça, mas o controle.
Como bem disse um dos entrevistados da série da Agência Pública: “O crime não se esconde – ele se articula, se elege, se protege e ainda exige respeito”.
Paulo Felipe Bressane Cruz é professor, licenciado em Pedagogia pela FAAT.
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