A Festa do Peão termina neste domingo e, mais uma vez, ficam registradas as reclamações, as críticas, os problemas que o evento causa, especialmente ao comércio da cidade e aos moradores do entorno do recinto do Posto de Monta. Ano após ano, essa parte negativa da festa vem se sobrepondo à positiva.
Os problemas vão desde a venda de ingressos por cambistas, o que eleva o valor da entrada para o público; a queda nas vendas do comércio em geral (com leve aumento nas lojas de roupas e sapatos) e aumento na inadimplência nos meses seguintes; os transtornos aos moradores; até o fato de a Prefeitura, com recursos públicos, é claro, arcar com a maior parte da estrutura da festa e não receber nenhum benefício por isso.
Os cambistas são vistos por toda a parte, desde a entrada do estacionamento oficial até a poucos metros das catracas, na frente das bilheterias oficiais, o que confirma a suspeita do vereador Marcus Valle de que haja conivência entre eles e a empresa organizadora da festa.
Já quanto à atuação da Prefeitura, é ela que realiza melhorias no recinto. Este ano, por exemplo, construiu um espaço adequado para que profissionais da Saúde se instalassem e pudessem atender eventuais casos de pessoas que passassem mal durante a Expoagro. Essas melhorias ficam, é verdade, porém, o espaço é subutilizado. Pouquíssimos eventos ocorrem no Posto de Monta durante o ano e somente se veem benfeitorias na época de Festa do Peão, ou seja, elas são feitas exclusivamente para atender a esse evento.
Não haveria problema algum com isso se o retorno da festa fosse positivo, ou fosse mais positivo que negativo, mas a população não tem visto isso. O que se observa desses eventos é que eles sugam muito dinheiro dos moradores da cidade e região. A cidade ganha com a festa, praticamente, apenas a propagação de seu nome.
Sem falar nos transtornos que os moradores de bairros vizinhos ao Posto de Monta enfrentam. A algazarra, a bagunça, o lixo deixado pelas ruas nas proximidades evidenciam que algo precisa ser modificado. Afinal, quem limpa essa sujeira quando a festa acaba? A empresa responsável pelo evento que não é.
Os governantes das últimas décadas não tiveram interesse em promover mudanças na festa, porém, o prefeito Fernão Dias já demonstrou que tem. Isso vai ser importante para, por exemplo, por fim a essa prática da empresa Sâmor Promoções Artísticas de agir como a toda-poderosa na cidade nesses dez dias.
Há anos que apenas ela ou a empresa Estrela Som, que é dos mesmos proprietários, “ganha” a licitação para realizar os eventos. Isso tem sido negativo porque elas agem a seu bel-prazer, desrespeitando leis, como a Lei do Silêncio, e impondo as suas regras.
Neste ano, muitos órgãos de imprensa da cidade tiveram suas credenciais reduzidas. Aliás, se é que se pode chamar de credencial o papel que foi impresso como tal. As pulseiras distribuídas nem tinham grafada a palavra “imprensa”, como geralmente ocorre, e sim, vinham com a inscrição “expositor”. Um desrespeito total com a mídia interessada em divulgar os eventos.
O quesito segurança também deve ser levado em conta, já que as forças de segurança se concentram no Posto de Monta nesses dias e o restante da cidade fica desprotegido. Mais uma vez, é preciso refletir, vale a pena? O investimento é todo do município, do estado e o lucro, todo da empresa terceirizada. É como se os recursos públicos estivessem sendo investidos diretamente na empresa que realiza os eventos, no caso de Bragança, a Sâmor.
É preciso, assim, analisar o custo-benefício e começar a estudar a reformulação da Festa do Peão e da Expoagro. Mas fazer isso a partir de agora, assim que esses eventos acabarem, para que não se corra o risco de em 2014 ouvirmos as mesmas lamúrias que temos ouvidos nos últimos anos.
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