Por Paulo Botelho
O consultor e escritor americano Peter Drucker criou o conceito de administração como uma disciplina prática, além de intelectual. Ao longo de sua trajetória exemplar, ele percorreu pelo menos dois universos: ensino acadêmico e consultoria empresarial. A maioria das ideias de como administrar remete ao trabalho dele.
Há pouco tempo, antes de morrer, Drucker escreveu um artigo na Harvard Business Review em que enfatiza: “O conhecimento é o único recurso econômico que faz sentido”. Nada mais completo. O ponto forte dele é a habilidade de interpretar o presente; o que realmente acontece na sociedade, na economia, nas escolas e nas empresas. Peter Drucker vai direto ao ponto.
O arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, desde o início de sua extensa carreira, elegeu a curva como ponto central de seu trabalho, incluindo-a em todos os seus projetos. “São as curvas das montanhas de Minas Gerais e das mulheres brasileiras!”, dizia sempre.
No projeto e construção da catedral de Brasília, ele evitou as soluções comuns das catedrais escuras que lembram a culpa. Mas, ao contrário, ele só fez escura a galeria que dá acesso à nave. Ao entrar, a surpresa: interior dela toda colorida, iluminada, com seus vitrais transparentes. São 16 colunas curvas, idênticas e organizadas em círculo. Elas se elevam para se encontrar como que num gesto de súplica. Eis aí o saber, a criatividade, o conhecimento aplicados em sua essência.
Peter Drucker e Oscar Niemeyer nos ensinam a sonhar e a pensar; mesmo quando temos pela frente matérias duras: os preconceitos, as imbecilidades, as incompetências, as injustiças.
Paulo Augusto de Podestá Botelho é consultor de empresas e escritor. www.paulobotelho.com.br
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