Foto: Pixabay
news-details
Saúde

Amamentar...

Dezenove anos, recém-casada, voltando da lua de mel, ir para a praia dá nisso: maldita virose, hospital, médico e, só por desencargo, teste de gravidez, resultado positivo, muito positivo...

Gestar, parir, tudo é novo e encantador, mas amamentar era o meu sonho. A relação com o alimento para mim sempre foi muito importante, aquele momento de união e amor... Então, “simbora” para esse preparo, coloca casca de banana no peito, esfrega com bucha vegetal, passa babosa, vitamina A, B, D, um alfabeto inteiro de dicas até o dia do parto.

Nasce aquela princesa, menina é mais delicada, suave, e na primeira mamada, ela parece um camelo no deserto. Logo de cara, rolou uma lágrima e eu pensei: “não vou dar conta”. Descobri que existem tipos de bicos do seio, descobri que existe uma pega mais correta para auxiliar na mamada, descobri que o alfabeto inteiro de dicas que serve para as outras pouco serviu para mim. Além da babosa, que refrescava e era natural para o bebê, o resto pouco funcionou, mas para MIM, tudo isso importava bem menos, porque o verdadeiro valor estava no que eu dava: contato, carinho, amor, tempo e o mais valioso, saúde em porções generosas.

Quando a minha filha completou três meses, voltamos a trabalhar, eu e ela, que ia comigo para o curso de férias na escola em que eu dava aula. Foi mais um mês de livre demanda, até o retorno das aulas, e aí as nossas tardes foram subtraídas e substituídas pelas frutas...

Eu passava a tarde na escola, conheci os perrengues das mães que voltam cedo demais da licença maternidade, você cheira a leite, está sempre vazando... Muitas vezes, eu ia embora do serviço a pé, só para não entrar no ônibus toda molhada de leite e ser olhada com o julgamento de quem pouco conhece a sua história ou necessidade, mas nada superava a alegria de chegar em casa e ver aquele toquinho de gente me esperando, desejando alimentar-se de mim de tudo que eu era capaz de ser para ela.

Foi um ano nessa jornada abençoada da amamentação, até que, no dia do seu aniversário, ela parou de mamar, assim mesmo, sem aviso, sem bilhete, sem orientação. Chegou da festa de aniversário e dormiu sem mamar. Eu achei que fosse cansaço, mas ela acordou no outro dia e nada, nem quis chegar perto do tetê. Outra lágrima rolou quando compreendi que era o fim dessa nossa jornada de intimidade, companheirismo e aprendizado extremo.

Eu aprendi que amamentar é de suma importância para a saúde do bebê e da mãe, mas que fundamental é a existência do contato físico, da troca de olhares, o amor doado em doses homeopáticas, mas em livre demanda.  

A minha história com a amamentação me ensinou que, por mais que nos achemos preparadas, o caminho é sempre novo, único, particular e individual, que nem tudo é bonito como nos filmes. As dores existem, as noites são longas e, por vezes solitárias, sim. Mas a recompensa de ver seu bebê crescendo saudável, forte, com boa imunidade, desfrutando daquilo que só você é capaz de dar a ele, não tem preço, é puro ouro mesmo...

Sheyla Murbach é mãe da Gabriela, pedagoga, aromate-rapeuta, doula e educadora perinatal. Compõe a equipe da Morada da Lua.

Sheyla Murbach - Arquivo Pessoal

 

Como observamos no relato da Sheyla, são comuns os mais diversos desafios da amamentação: a dor, a dificuldade de adaptação inicial, a privação de sono, os incômodos do pós-parto e até mesmo o sentimento de insuficiência pelo receio quanto à produção e qualidade do leite. As mães querem sempre oferecer o melhor para seu filho, por isso, ficam preocupadas se está tudo certo.

Neste momento, é imprescindível o apoio familiar, encorajando e incentivando aquela mulher; o acompanhamento de profissionais atualizados sobre as últimas recomendações dos órgãos de saúde; e a escuta empática. 

A equipe da Morada da Lua, em Bragança Paulista e região, atende e acompanha as famílias com orientação ativa nesta etapa tão importante que são as primeiras semanas de pós-parto e o estabelecimento do aleitamento materno.

Para dar visibilidade a esta causa surgiu, então, a campanha do Agosto Dourado, que é conhecida assim porque a cor dourada está relacionada ao padrão ouro de qualidade do leite materno.

Fornecer e divulgar dados que incentivem a amamenta-ção é direito e dever de toda a sociedade para que, cada vez mais, nossos bebês e mães sintam-se amparados e respeitados no aleitamento materno.

Fabiana Higa é mãe da Luana e da Nina, parteira e fundadora da Morada da Lua.

Fabiana Higa - Arquivo Pessoal

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image