Aninha e o Amor

Aninha sempre fora travessa, desconfiada, “do contra”. Intensa, exagerada, sensível, difícil. Mas sabia desde sempre o que era o amor. Entendia sua natureza arredia e avassaladora, entendia que ele exigia tudo, sem pedir nada e que, era necessário devoção e entrega para mantê-lo vivo. Como sabiamente cantava um de seus músicos preferidos “Cuidar de amor exige maestria...”

Aliás, ela cria mesmo que amor e poesia eram irmãos. Porque o amor exige a delicadeza absurdamente bela de colocar-se no lugar do outro, respeitando seus medos e suas coragens, seus rompantes de alegria e seus momentos de tristeza.

Não é o que se possa chamar de um exercício simplista, muito pelo contrário. O exercício de amar é diário, complexo, mas recompensador.

E num mundo feito de imediatismos idiotas, aqueles que se atrevem ao amor são mesmo raros. São almas que se permitem dedicar-se ao outro, respeitando o fato de ser o outro todo um universo particular e diferente de si.

Aninha amava dedicar-se a esse exercício, Aninha o compreendia em partes, sem, no entanto, desprezar sua urgência e beleza. Era uma aprendiz devotada, capaz de derramar lágrimas da dor mais profunda e arrancar os sorrisos mais sinceros. Mas sabia que o amor não rima com lágrimas, e para ser pleno esse poema divino, o poeta deve esmerar-se ao máximo para evitar a dor. Que amor genuíno não implica dor. Amor genuíno é cuidado, respeito, cumplicidade...

Aninha continua sendo só uma menina, de olhos grandes e vivazes que anseiam desesperadamente por ver esse amor assim intenso e vivo e capaz de gestos tão nobres e altruístas ganhando ares de realidade.

Aninha segue acreditando nesse amor, mesmo que isso soe como burrice, pieguice ou simples perda de tempo.

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