Após um longo período de reclamações, muita incerteza e dificuldades para os conveniados do plano de saúde Unimed, o presidente do Conselho de Administração da cooperativa, José Jozefran Berto Freire, concedeu entrevista à emissora FM 102,1 e se posicionou sobre alguns temas.
O Jornal Em Dia vem tentando há meses uma entrevista com o médico ou com outro representante da Unimed a fim de obter informações que os usuários do plano querem saber. Os contatos dificilmente são retornados e a entrevista nunca foi agendada pela cooperativa. Assim, o jornal decidiu reproduzir os principais pontos debatidos na emissora, a fim de que os leitores interessados nessa questão possam ter acesso ao que o presidente do Conselho de Administração da Unimed pensa sobre a situação da cooperativa.
A análise inicial do presidente sobre o ano de 2012 é de que “foi um ano de transição muito dura para a Unimed. Um ano de ajustes, difícil, mas de preparo para uma nova etapa, que exige sacrifícios”.
Os radialistas da FM 102,1 questionaram Jozefran sobre alguns assuntos que são vividos no cotidiano dos usuários e passaram a se tornar de conhecimento público, como médicos que saíram da cooperativa e não estão mais atendendo, uma suposta tentativa de destituição da atual diretoria, o suposto atraso nos salários e 13º dos funcionários e a dificuldade em se marcar exames em laboratórios da cidade.
Sobre a questão da debandada de médicos, se seria uma “rebelião”, o mandatário do plano afirmou que realmente houve colegas de profissão que saíram, mas não se pode chamar a ação de “rebelião” e sim de uma “tomada de posição” dos médicos. “Isso a gente sempre teve dentro da cooperativa, que é uma instituição democrática”, disse.
Com relação a uma assembleia que foi marcada pelos médicos cooperados, cujo um dos itens de discussão seria a destituição da atual direção da cooperativa, entre eles, Jozefran Berto Freire do cargo de presidente, ele afirmou que realmente a discussão ocorreu, de forma democrática e em alto nível, mas sem entrar em detalhes disse que “ficou tudo bem”.
Outra reclamação explícita que os conveniados têm ouvido com certa frequência dos funcionários, quando fazem uso do hospital ou área administrativa, é que os salários dessas pessoas estariam atrasados. Sobre esse caso, o presidente da Unimed desmentiu o rumor: “Não tem salário atrasado de ninguém”, mas admitiu que seja normal a inconstância na data do pagamento. “A gente paga os salários em duas vezes, no meio do mês (entre 15 e 20) e no final do mês, ou até o quinto dia útil. Teve mês que saiu dia 25, mas teve mês que saiu dia 13, 14”, afirmou, deixando claro ainda que o 13° salário foi pago também.
O médico fez questão de enaltecer que a Unimed agracia todos os seus funcionários com plano de saúde gratuito para toda a família e um cartão de vale-alimentação, no valor de R$ 340,00, quantia superior a que é paga pela Prefeitura, por exemplo.
Questionado se é verdade que esse vale também estava atrasado, ele disse que “às vezes se paga dez dias depois ou dez dias antes”.
Por fim, com relação aos laboratórios que não estão mais atendendo a Unimed e a consequente dificuldade na marcação de exames, a emissora FM 102,1 questionou se é verdade que alguns exames estão demorando 60 dias para serem realizados.
O presidente fez uma longa explanação sobre números de exames e consultas realizados em 2011 e 2012 e concluiu que o fluxo de caixa desses laboratórios é suficiente para “sobreviverem” a um período de até três meses sem receberem pelo serviço prestado.
“Somente em 2011 fizemos 500 mil exames, ganhou-se um bom dinheiro, empresa recebe, empresa paga, fazem suas compras, guardam seu dinheiro e vivem bem. Não recebeu dois meses, estes dois meses não atrapalham o fluxo dele”, justificou.
Mas apesar disso, o médico credita a saída dos laboratórios a outros fatores, que não são essa questão financeira.
Outra polêmica envolvendo a Unimed recentemente foi o fechamento da UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), tema este que chegou a ser abordado pelos vereadores na Câmara Municipal, antes do recesso.
Conforme informado, a UTI foi interditada devido a um problema técnico, mas reabre no início de janeiro. “De vez em quando, UTI fecha. Contaminou, tem que lacrar para poder reabrir”, afirmou.
Foi perguntado também a Jozefran se é verdade que a Unimed tem uma dívida de mais de 20 milhões de reais, mas ele acabou não respondendo essa questão.
Já sobre uma suposta venda da cooperativa, o presidente afirmou que a Unimed é uma marca e não pode ser vendida.
Estima-se que devido a esses e outros problemas, o plano de saúde tenha perdido muitos conveniados. Mas a direção da empresa argumenta que isso ocorreu por outros fatores, como opção pessoal, questão de portabilidade, pessoas que saíram da cidade ou perderam o emprego.
Uma análise de mercado realizada por José Jozefran Berto Freire concluiu que, no futuro, grupos maiores de planos de saúde irão concentrar este serviço. Mas são movimentos de mercado que independem de Bragança e do estado de São Paulo.
Recentemente, o Grupo Amil e o Grupo Golden Cross foram vendidos a investidores americanos, apontou ele.
O presidente do Conselho de Administração da Unimed finalizou sua entrevista afirmando que “é quase impossível a gente atender todo tipo de satisfação que a pessoa acha que possa ter na área da saúde”.
Conforme declarou, atualmente, a Unimed Estâncias Paulistas Operadora de Planos de Saúde Sociedade Cooperativa, sucessora legal da Unimed Bragança Paulista, conta com 88 médicos cooperados, 32 a menos do que no ano passado, e cerca de 40 médicos conveniados, número este também inferior ao já apresentado.
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