Pode parecer inusitado o título que escolhi para o texto dessa semana. Inusitado e ofensivo. E de fato, talvez seja mesmo essas duas coisas, mas justifico essa minha escolha, argumentando que meus olhos, ouvidos e cérebro vêm sendo constantemente bombardeados por informações que me fazem repensar, com pesar, toda a odisseia da existência humana. E eu me sinto enojada.
Tem se feito tanto, tantas bestialidades em nome da aparência e tão pouco ou quase nada em investimentos para aprimorar a inteligência ou aumentar a capacidade cerebral dos indivíduos, que juro, fico consternada e me pergunto:
- Será mesmo que esses moços e moças acreditam que sua futilidade os manterá quando seus corpos já não o fizerem mais? Porque a impressão que transmitem é a de que são seus corpos que os sustentam financeira e emocionalmente, através de uma exposição tal que acaba por inflar seus egos e vulgarizar, maculando seus seres. Parece que seus corpos se criaram única e exclusivamente para essa finalidade.
E quando, apesar de todas as tentativas de impedir, a velhice chegar, e com ela, os efeitos naturais do tempo aliados à ação também natural da gravidade? Entrarão em colapso?
Como sobreviver sem cérebro? Ou o que se esperar de alguém que se limita a um corpo?
A esse respeito, sabiamente, nos relembra C. S. Lewis: “Você não é um corpo. Você é uma alma. Você apenas tem um corpo”.
E é mesmo a alma que me intriga e se faz objeto de questionamento e indignação. Numa sociedade que cultua corpos em detrimento de almas, os valores andam em plena decadência.
O que dizer da moça ovacionada pela mídia televisiva por devolver cheques nominais endereçados ao Hospital do Câncer?
Ah, que me perdoem os acéfalos, mas é incabível! E mesmo que os tais cheques não fossem nominais, a obrigação de alguém que se vê em posse de algo que não lhe pertence, é devolver a quem de direito.
Mas repare, os cheques eram nominais, a moça, agora aspirante a celebridade, nem sequer poderia descontá-los se o quisesse, então, me perdoe, mas ela, literalmente, não fez nada além de sua obrigação, não há mérito nenhum na atitude dela, e vem sendo tratada pela mídia e por aqueles a quem ela seduz com seus enganos, feito uma heroína pós-moderna ou alguém que mereça louros e sirva de modelo às nossas crianças, com o caráter ainda em formação.
Isso é um explícito elogio à desonestidade! Daí o meu nojo, daí minha indignação...
Parece mesmo que nem ainda sequer forjamos nosso próprio caráter ou que este é mesmo muito debilitado e propenso a corrupções de toda espécie.
Que mundo é esse em que o óbvio é exceção e a desonestidade triunfa, assumindo ares de heroína?
Acho mesmo que estou deslocada nesse mundo e talvez não haja lugar nele em que me encaixe, porque, pasmem vocês, eu recomendaria e esses modelos de perfeição vulgar e supérflua, ingerir “Whey Brain”, e aos que elogiam, celebram e incentivam a desonestidade, um bocado generoso de vergonha na cara!
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