Presidente da associação afirmou que a comunidade foi enganada
Na última terça-feira, 15, durante sessão ordinária da Câmara, o assunto Jardim Nogueira novamente voltou à pauta. Apresentado pelo vereador Antônio Bugalu, Carlos Alexandre de Sá Oliveira, presidente da Associação Nogueira, falou sobre a decisão judicial que determina a demolição das casas construídas no Loteamento Jardim Nogueira, frutos de apropriação irregular.
O representante da comunidade informou que atualmente são 174 famílias que residem no local e todos foram pegos de surpresa com a decisão da Justiça, que deu prazo de até 60 dias para a desocupação. Segundo Carlos, sua presença, acompanhado de integrantes de terrenos invadidos, tinha como objetivo esclarecer os fatos relacionados à ocupação da área.
O abandono do poder público, que deixou de pagar o Aluguel Social para algumas famílias, teria motivado a ocupação do espaço. “Como no início nenhuma providência foi tomada, outras famílias resolveram tomar a mesma atitude e invadir o loteamento particular”, apontou, completando: “Muitos que estão lá foram abandonados pelo poder público. Nós os acolhemos”.
Carlos questionou ainda: “Por que o poder público não cortou pela raiz?”, referindo-se ao início da ocupação, que se deu há três anos.
Secretários municipais da administração do ex-prefeito João Afonso Sólis (Jango) foram acusados por Carlos de incentivar a invasão, até com doação de materiais para construção. Porém, ele se esquivou de citar nomes, quando questionado pelo vereador Marcus Valle, afirmando que estava ali para resolver o problema de moradia das famílias e não para “picuinhas”.
O atual secretário municipal de Serviços, Moufid Doher, também foi citado. Este foi acusado de fazer pressão por meio de contato telefônico, dizendo que três máquinas já estariam prontas para dar início às demolições.
Mostrando um mapa e afirmando que os moradores haviam aceitado pagar pelos lotes 133 parcelas de R$ 300,00, o manifestante declarou: “Fomos enganados”. Ele acrescentou que os moradores estavam esperando pela assinatura do contrato, mas foram surpreendidos com a decisão da Justiça.
Após ultrapassar o tempo permitido, de dez minutos, Carlos encerrou seu pronunciamento dizendo que contava com o apoio dos vereadores e que todos da comunidade estão dispostos a pagar pelo terreno que estão ocupando. “Somos cidadãos, temos direitos, ou só servimos na hora do voto?”, indagou.
Ao agradecer pela participação do representante dos moradores do Jardim Nogueira na Tribuna, o vereador Bugalu disse que ele não tinha participado das reuniões na Prefeitura, mas, segundo informações que havia colhido, foi feita proposta para que os moradores pagassem 120 parcelas de R$ 330,00 por cada lote. Além disso, receberiam capacitação profissional, mas recusaram a oferta da Prefeitura.
Nesse momento, a plateia lotada retrucou: “mentira”.
Bugalu disse ainda que “por ser tratar de uma decisão judicial, a situação é complicada, e que os vereadores pouca coisa poderiam fazer”.
Já o vereador Juzemildo Albino da Silva pediu a criação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para conhecer a realidade e apurar os fatos, principalmente o incentivo de ex-secretários municipais na invasão do loteamento.
Juzemildo também questionou Carlos se ele tinha cópia das atas das reuniões feitas, ao que ele respondeu que sim. E quis saber a veracidade da informação de que lotes teriam sido vendidos até por R$ 500,00 no local. O manifestante negou, disse que “ninguém é louco de comprar sem recibo”. “Nunca foi vendido um chão, foi ocupado por nós devido ao abandono”, respondeu.
Logo em seguida, diante da exaltação dos presentes, o presidente da Câmara, Tião do Fórum, suspendeu os trabalhos até que os ânimos dos moradores que compareceram no Plenário fossem acalmados.
A suspensão durou mais de 20 minutos.
Após, deu-se início à participação de Henrique Maciel Gonçalves, inscrito pelo vereador Quique Brown, para falar sobre as dificuldades que alunos do curso de Pedagogia da Fesb (Fundação Municipal de Ensino Superior) encontraram para acessar documentos da história bragantina, bem como o desconhecimento dos patrimônios históricos e suas devidas informações.
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